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Herança da velha RFFSA ainda provoca prejuízos

Valor Online

André Borges | De Brasília

A Rede Ferroviária Federal (RFFSA) foi privatizada há 15 anos, mas deixou uma herança que ainda causa problemas e dá prejuízos. Além de milhares de ações trabalhistas que podem custar até R$ 8 bilhões aos cofres públicos, ela tem ativos que já foram bilionários e viraram sucata. Sejam "novos" ou usados, esses ativos – que desde 2007 passaram ao controle da União, com a extinção definitiva da estatal – hoje valem uma fração de seu preço original.

Em grandes caixotes de madeira, em um galpão em Campinas (SP), estão guardadas 48 locomotivas importadas da França em 1974 e que nunca rodaram sobre trilhos. Hoje elas valem o quanto pesam. Ou menos que isso. O quilo da sucata de ferro custa em média R$ 0,30. Com sorte, o governo federal talvez consiga vender tudo por cerca de R$ 0,20 o quilo, o que daria aproximadamente R$ 3,9 milhões.

"Os modelos elétricos não são mais usados no país, saíram de linha há muito tempo", explica Geraldo Lourenço, diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). No próximo mês, o órgão deverá realizar os primeiros leilões desde que assumiu essa função. Só em São Paulo serão leiloados 1,3 mil vagões de carga sucateados.

Outros milhares de vagões devem ser licitados em Minas e no Rio. Ao todo, segundo o Dnit, cerca de cinco mil vagões deverão ser vendidos como ferro velho. Centenas de locomotivas sucateadas também irão a leilão, além de partes que estão espalhadas em dezenas de almoxarifados pelo país. "Em Minas, na cidade de Cruzeiro, há 231 motores de locomotivas elétricas, todos na caixa".

A RFFSA foi criada em 1957 e chegou a ser a maior empresa pública do país. Antes de passar pelo processo de desestatização, entre 1992 e 1996, tinha 148 mil funcionários. "Era um grande cabide de empregos", diz Geraldo Lourenço. Ao extinguir a estatal, em 2007, o governo assumiu o espólio e suas dívidas. O prejuízo acumulado era de R$ 17,6 bilhões. Hoje mais de 52 mil imóveis ainda esperam regularização

No espólio da Rede, o que ainda pode ser utilizado vem sendo analisado pelo governo para alimentar iniciativas de cunho histórico. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tem 20 projetos em análise para instalação de trens turísticos.

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