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Governos descartam protecionismo para combater a crise

Ministros de Economia e de Relações Exteriores, presidentes de Banco Central e autoridades dos países da América do Sul decidiram ontem criar "canais fluidos e ágeis de comunicação" entre suas equipes econômicas

 

Ministros de Economia e de Relações Exteriores, presidentes de Banco Central e autoridades dos países da América do Sul decidiram ontem criar "canais fluidos e ágeis de comunicação" entre suas equipes econômicas para trocarem informações sobre os desdobramentos da crise financeira na região e as medidas adotadas pelos governos para enfrentá-la. "O fato de a região estar falando com uma única voz é muito importante", saudou o ministro brasileiro Celso Amorim, ao fim do encontro, de quase três horas.
 

 

 

 

A reunião, convocada pelo Brasil, a pedido da Argentina, terminou com declarações contra o protecionismo e a favor da integração, mas o documento conjunto divulgado pelos participantes lembra que, embora o comércio regional seja um "patrimônio valioso" na região, será "conveniente" monitorar os impactos da crise nos mercados financeiros locais e nos níveis de produção e de emprego.

 

 

 

Houve, como definiu Amorim, "nuances" nas manifestações das autoridades sul-americanas. O ministro da Economia da Venezuela, Ali Rodriguez, após listar as medidas tomadas pelo governo venezuelano para proteger as reservas internacionais do país, atribuiu a crise aos equívocos adotados nos centros capitalistas mundiais e propôs uma reunião de chefes de Estado na ONU para decidir medidas de "castigo aos grandes estelionatários que se apropriaram de milhões dos depositantes". Já representantes de países como o Chile preferiram combater a tentação de medidas protecionistas para proteger empresas locais.

 

 

 

"Não podemos usar a crise como desculpa para voltar a uma política dos anos 60, de protecionismo", defendeu Foxley, ao sair da reunião. "Temos quer usar o comércio dos países da região como forma de garantir o crescimento e o emprego." Os chilenos sugeriram que os governos da região aumentem seus depósitos nas organizações multilaterais como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Corporação Andina de Fomento (CAF), para fortalecer linhas de desembolso rápido a países da região que enfrentarem problemas de crédito.

 

 

 

"Nós já estamos aumentando nosso aporte à CAF, essa sugestão, para nós, já é fato", ironizou o venezuelano Rodriguez, ao comentar a proposta para o Valor. A Venezuela, com países como a Bolívia, defenderam mais rapidez na constituição do Banco do Sul, proposto pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e adotado por parte dos governos da região.

 

 

 

O compromisso dos países em trocar informações sobre as respostas aos problemas dos mercados financeiros internacionais foi comemorado no Itamaraty – que convocou a reunião a pedido da Argentina, preocupada com possível invasão de mercadorias asiáticas em busca dos mercados perdidos com a recessão mundial. O Brasil tem sido um dos maiores beneficiados com a integração regional. Além da expansão de empresas brasileiras na região, o país tem saldo superior a US$ 11 bilhões no comércio com os vizinhos, a maior parte com a Argentina.

 

 

 

A reunião atraiu autoridades de todos os países sul-americanos. Teve, além dos integrantes do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, além da Venezuela, sócio em vias de integração), os membros associados, Bolívia, Peru, Colômbia e Chile. Suriname e Guiana, mandaram seus representantes diplomáticos em Brasília. (SL)