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Governo pode limitar a 36 meses financiamento de carro

DIÁRIO CATARINENSE

Objetivo é evitar crescimento insustentável da demanda

O Ministério da Fazenda quer reduzir o número de prestações no crédito ao consumidor para evitar um crescimento insustentável da demanda, que comprometa o crescimento do país em 2009 e 2010. Uma das idéias em discussão é limitar o financiamento para a compra de veículos em 36 meses. Hoje, um carro pode ser financiado em até 99 meses.

Com as medidas de contenção do crédito, o Ministério da Fazenda avalia que será possível desacelerar o consumo e, assim, evitar uma elevação da taxa de juro, medida que já está sendo cogitada pelo Banco Central (BC) para ser adotada em abril. O BC está preocupado com os indícios de uma aceleração da inflação decorrente de pressões de demanda.

Na próxima quarta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, recebe os bancos para avaliar a redução do prazo do financiamento. O governo quer chegar a um acordo com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) sobre essa questão, mas não descarta definir o prazo por resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), se as negociações não foram satisfatórias.

Antes do encontro com a Febraban, Mantega terá uma reunião, nesta segunda-feira, com representantes do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), quando pretende discutir a forte elevação do preço do aço. A idéia é discutir formas de equilibrar a oferta e a demanda dos produtos do setor.

O ministro da Fazenda avalia, segundo fontes da área econômica, que o crescimento econômico deste ano "já está dado" e deverá ficar em torno de 5%. Ao pensar em medidas que possam conter o consumo, a preocupação de Mantega é com o crescimento nos próximos anos.

— A minha preocupação é garantir um crescimento sustentado em 2009 e 2010 — disse Mantega em recente reunião com assessores.

Embora estejam preocupados com o crescimento das vendas da indústria automobilística, os assessores de Mantega advertem que outros segmentos econômicos estão em ritmo adequado e não serão objetos de qualquer tipo de limitação. Neste caso está o setor habitacional que cresce, de acordo com as avaliações oficiais, em ritmo adequado e sustentado.

O problema do setor automobilístico, na avaliação do governo, é que empréstimos muito longos (podem chegar a 99 meses) fazem com o que o bem adquirido perca o valor com o tempo, o que reduz as garantias do banco em caso de inadimplência.