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Governo gastará US$ 6,6 bi para limpar dívida de “calote” de Sarney

Fonte: Reuters

O Tesouro Nacional informou nesta quinta-feira que vai pagar antecipadamente US$ 6,64 bilhões nos chamados bônus “bradies”, títulos que foram emitidos pelo Brasil em 1994 para refinanciar os contratos rompidos na moratória dos anos 80, na época do governo de José Sarney.

“Com essa medida, em 15 de abril de 2006, o Tesouro Nacional terá eliminado todos os títulos associados à reestruturação da dívida externa ocorrida em 1994”, esclareceu nota do Tesouro.

“Além de proporcionar uma economia referente à despesa de juros, o pagamento antecipado dos bradies tem por objetivo suavizar o perfil de vencimentos de curto prazo da dívida externa, bem como reduzir ainda mais a exposição cambial bruta da dívida pública federal”, acrescentou o Tesouro.

O Tesouro informou ainda que os recursos para a operação virão integralmente das reservas internacionais.

“Dado o fato de que (a recompra) vai liberar cerca de US$ 1,5 bilhão em colateral, o impacto líquido será de apenas US$ 5,1 bilhões nas reservas”, comentou o estrategista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, em relatório.

Lintz acrescentou que a decisão irá manter a avaliação positiva nos mercados local e externo.

Segundo o Tesouro, a liberação de colateral – espécie de garantia que o governo precisa manter em títulos do Tesouro dos Estados Unidos – virá dos títulos Par e Discount.

No início do mês, o Tesouro já havia anunciado um programa de recompra de títulos da dívida externa brasileira com o objetivo de melhorar o perfil do passivo externo.

À ocasião, o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, disse que o programa tinha como alvo preferencial bônus com vencimento até 2010 e Bradies.

Reação positiva
Às 12h48, o risco Brasil recuava 9 pontos, para 223 pontos-básicos sobre os Treasuries.

O Global 2040, título de maior liquidez no mercado, era cotado a 133,125% do valor de face, ante 132,438% do fechamento anterior.

“O mercado já vinha bem desde cedo e o anúncio da recompra impulsionou ainda mais”, disse o operador de dívida externa de uma corretora, citando notícias positivas sobre a economia mundial como a confiança empresarial na Alemanha no maior nível em mais de 14 anos.

O montante de Bradies em mercado está dividido em: US$ 1,42 bilhão em Par Bonds, US$ 1,29 bilhão em Discount Bonds, US$ 330 milhões em FLIRB, US$ 2,87 bilhões em DCB e US$ 730 milhões dos papéis NMB.

O estoque do título EI não será retirado do mercado via recompra já que tem vencimento no próprio dia 15 de abril.

No ano passado, o Brasil já havia retirado do mercado os C-Bonds – que eram os títulos mais representativos da reestruturação da dívida externa ocorrida em 1994.

“Os títulos da dívida reestruturada tipicamente têm menor liquidez e sua retirada de mercado deverá ter impacto positivo na curva soberana brasileira, com possíveis reflexos também nas emissões das empresas brasileiras no exterior”, disse o Tesouro em nota.