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Governo anuncia em 20 dias medidas para desonerar custo das empresas

Folha Online

KAREN CAMACHO
da Folha Online

O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou nesta sexta-feira (4) que o governo anunciará nos próximos 20 dias medidas para desonerar os custos das empresas com mão-de-obra, principalmente as manufatureiras. Elas servirão para compensar a valorização do real frente ao dólar, movimento que prejudica as exportações e a competitividade com produtos importados no mercado interno.

"O valor excessivo [do real] prejudica os setores da economia, principalmente a indústria manufatureira e as exportações de áreas como a têxtil e calçados, mobiliária e construção civil. Isso traz algumas preocupações para o governo", disse Mantega.

O ministro voltou a afirmar que "uma determinada valorização do real é inevitável", mas que o governo tem que criar medidas para compensar os prejuízos e que as empresas têm que investir para melhorar sua competitividade.

Mantega afirmou que as alternativas para essa desoneração já estão em análise por uma equipe técnica do Ministério da Fazenda. "Os benefícios virão sobre a folha de pagamento, PIS/Cofins ou sobre o faturamento, não temos uma posição definitiva."

"Queremos desonerar a folha de pagamento das empresas com mão-de-obra intensiva. Todas terão algum tipo de benefício a partir desta medida", garantiu.

Sobre o movimento do BC (Banco Central) nos últimos dias para evitar a valorização do real, Mantega afirmou que as intervenções continuarão "para conter uma sobrevalorização" da moeda brasileira frente ao dólar, que fechou hoje cotado a R$ 2,035, em alta de 0,34%.

Spread

A respeito da proposta do governo para redução do spread bancário, o ministro informou que discutirá medidas com a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) na próxima semana, mas afirmou que pedirá contrapartida dos bancos aos benefícios dados pelo governo.

No final de abril, Mantega disse que o spread –diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes– e as tarifas bancárias são muito elevadas no país.

"Pode ser a CPMF ou o compulsório. Ou será que os bancos querem lucratividade? Vamos analisar o que podemos fazer para a redução. Se tiver algo que o governo puder fazer, ele não vai se furtar, mas não podemos continuar com o spread tão elevado", disse na ocasião.