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Gigantes anunciam novos aportes

Os movimentos estratégicos dos maiores empresários do País mostram que a indústria brasileira está disposta a aproveitar o bom momento macroeconômico para investir e crescer. Tais movimentos ficaram explícitos ontem, no 20º Fórum Nacional, realizado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio, entre um grupo de industriais que representa grande parcela do PIB nacional.

A Petrobras, por exemplo, anunciou que fará uma quarta refinaria no País. Já a Odebrecht irá aproveitar o plano de renovação e de expansão da frota de embarcações da gigante do petróleo para ampliar sua participação em estaleiros. A Vale, que acabou de anunciar a decisão de vender sua participação na Usiminas, por discordância de estratégia de negócio, não perdeu tempo para avisar à empresa mineira que está bastante atuante no segmento siderúrgico. O presidente da Vale, Roger Agnelli disse que a Usiminas deveria ser o cavalo branco brasileiro no crescimento da siderurgia.
 "Ela, de alguma forma, foi um pouco lenta nessa estratégia."
Ao mesmo tempo, o diretor-executivo de Finanças da Vale, Fábio Barbosa, confirmava as desavenças com a Usiminas e dizia que a estatal quer vender sua fatia no controle porque "cumpriu sua missão na empresa". E já adiantava o interesse da Vale em crescer no campo da siderurgia. "Temos todas as condições de ser tão competitivos na siderurgia quanto somos na mineração", disse Barbosa.
Neste caminho, Barbosa anunciou que o projeto da usina siderúrgica da Vale no Pará poderá ter um modelo diferente dos demais projetos da empresa neste setor. Até o momento, todas as usinas foram voltadas para a produção de placas de aço para exportação, mas a unidade no Pará poderá incluir a produção de bobinas de aço.Segundo destacou, não há nenhuma definição a este respeito, mas disse que esta poderia ser uma possibilidade.
O executivo informou que o parceiro ainda não foi definido mas que já existe um compromisso para levar os investimentos adiante no Pará.
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou que a empresa está estudando a possibilidade de construir uma quarta refinaria, além das duas já em andamento, em Pernambuco e no Rio de Janeiro, e da terceira já anunciada, que será premium, no Maranhão.
Ontem, Gabrielli disse ainda não está definido onde será a quarta refinaria, nem qual será o seu porte, mas afirmou que "deverá ser grande". Ele disse que esta nova unidade não deverá ser premium.
Sobre a área de pré-sal, Gabrielli comentou apenas que amanhã deverá receber um comunicado sobre a área de Jupiter, mas que não deverá haver maiores detalhes ao mercado sobre isso. Ainda na Bacia de Santos, Gabrielli lembrou que a Petrobras teve que retirar a sonda de perfuração da área de Carioca, no BM-S-9, para prosseguir trabalhos em outra localidade. Com isso, não foram completados os testes que dimensionariam o tamanho da reserva.
O presidente da Petrobras ainda confirmou que a estatal continua ainda com o propósito de maximizar a contratação de sondas de perfuração de campos de petróleo no Brasil, apesar de nota divulgada hoje pelo Sindicato Nacional da Indústria Naval (Sinaval), que indicou que os estaleiros nacionais não têm condições de atender ao pedido para a construção das 12 primeiras sondas. "O que vai ser feito no Brasil ou no Exterior vai depender da disponibilidade da indústria nacional", disse.
Para aproveitar esse movimento da Petrobras, a Odebrecht quer ampliar sua participação em estaleiros. A empresa analisa tanto comprar, como construir estaleiros, em qualquer parte do País, do Rio Grande do Sul ao Amazonas."Posso lhe dizer que não vai ser em um lugar só", afirmou o presidente do conselho da Odebrecht, insinuando que a empresa terá mais de um estaleiro, seja pela compra ou pela própria construção de uma nova unidade.
O presidente do Conselho da Odebrech acredita que não será possível fazer 100% dos investimentos anunciados pela Petrobras no próprio País. "O presidente está correto em exigir que seja feito aqui, até porque é um desafio. Mas eu tenho certeza de que ele tem consciência de que 100% desse investimento não dá para fazer no Brasil, ainda. Do contrário, atrasa o programa de exploração brasileiro, por parte da Petrobras", disse.
Esse programa é, para a Odebrecht, decisivo do ponto de vista de crescimento. "A Petrobras tem programas de crescimento onde também nós somos talvez os maiores fornecedores, inclusive no Exterior. Nosso crescimento tem de estar ligado ao crescimento dos nossos clientes, sejam países ou empresas", disse Emílio Odebrecht.
Agnelli, da Vale, mostrou bastante frustrado em relação à política adotada pela Usiminas. Ele negou ter problemas de relacionamento com outros controladores, citando nominalmente a Nippon Steel e a Camargo Corrêa. "Continuamos a trabalhar ", disse Roger.