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França faz força-tarefa para atrair empresas brasileiras

R7

Com desemprego em alta, país investe em relacionamento comercial com o Brasil

A França está montando uma espécie de força-tarefa para atrair empresas brasileiras interessadas em se instalar no país.Atualmente, 30 empresas do Brasil têm algum tipo de sede em território francês, como escritórios comerciais ou centros de pesquisa, que empregam 220 pessoas e investem 570 milhões de euros (R$ 1,3bilhão) por ano na região, um número pequeno se comparado a outras nações emergentes, como China e Índia. Enquanto isso, mais de 400 companhias francesas têm filial em terras brasileiras, gerando 400 mil empregosdiretos.

Como comparação, as 70 empresas chinesas instaladas na França empregam 5.000 pessoas, enquanto as indianas têm 8.000 empregados em 70 companhias. Mas há um esforço para mudar esse quadro: no ano passado foi fundada a Câmara de Comércio do Brasil na França, uma associação que tem oobjetivode facilitar a troca de informações entre empresários dos dois países e também tirar dúvidas sobre questões legais e comerciais das companhias brasileiras interessadas em investir.

Além disso, aInvestinFranceAgency(Invista na França, em inglês), agência do governo do país responsável por tentar facilitar a vida dos investidores e dar orientações sobreprojetosde negócios no país, vai abrir um escritório em São Paulo para melhorar essecontato. Em setembro, uma delegação de empresários deve viajar ao Brasil atrás de investimento.

O principal motivo desse interesse é o bom desempenho da economia brasileira, mesmo com a criseeconômicamundial. Depois de uma queda de "apenas" 0,2% em 2009, o PIB (Produto Interno Bruto), que indica tudo o que foi produzido no Brasil, deve crescer até 5,7% neste ano.

DavidAppia, executivo-chefe da agência, disse ao R7 que o Brasil é "a prioridade para 2010".

– Queremos dobrar asatividadesdas empresas no mercado francês.

Queremos atrair principalmente pequenas e médias empresas interessadas em abrir escritórios comerciais. Para as que já estão instaladas, queremos que elas passem a investir em produção. A ideia é mostrar que a França pode funcionar como uma plataforma para todo o mercado europeu.

Os países europeus em que os brasileiros mais investem são Portugal, Reino Unido e França. Levando em conta os dados de 2003 a 2009, o número deprojetosde investimento das companhias brasileiras na Europa cresceu num ritmo mais acelerado, de 26%, do que no mundo como um todo (16%). Mas, no ano passado, especificamente, por causa da crise, a tendência mudou e houve uma queda de 63% nosprojetospara o continente, enquanto no mundo o tombo foi de 37%.

A França quer, por exemplo, que companhias brasileiras apresentem ideias para oprojetoGrandParis, que pretendereurbanizara capital do país. As obras deinfraestrutura, que têm previsão de início para 2012, devem custar 35bilhõesde euros (R$ 80bilhões).

Por trás desse interesse francês nas empresas estrangeiras está, entre outrosfatores, uma grande necessidade de criar empregos no país. No fim do ano passado, o índice de pessoas procurando trabalho chegou a 9,6% da população economicamenteativa, o pior nível desde 2009. A taxa é maior do que o de países como Alemanha (8,5%) e Itália (7,3%).

Só no ano passado, os investimentos de empresas estrangeiras na França foram responsáveis pela criação de 30 mil postos de trabalho.

Um dos estímulos oferecidos pelo governo é a redução de impostos, principalmente para osetorde pesquisa e desenvolvimento. O país concede, por exemplo, abatimento fiscal de 30% a 60% para os investimentos em pesquisa.

Do Brasil para a França

Algumas empresas brasileiras já enxergaram a França como porta de entrada para fazer sucesso na Europa. Uma delas é a Natura, que abriuuma loja em Paris em abril de 2005.Desde então, conquistou 1.700 consultoras de vendas – 70% delas francesas.

Outra empresa que atua na França é a Carmen Steffens, grife especializada em sapatos. A empresa inaugurou a primeira unidade em dezembro do ano passado em Aix-en-Provence, cidade de 150 mil habitantes que fica no sul do país.

De acordo com o gerente de exportações da marca, Gabriel Spaniol, duas novas lojas serão inauguradas ao mesmo tempo em agosto: uma em Paris e outra em Marselha. A da capital ficará em uma região conhecida pelos sapatos de luxo e vai disputar mercado com marcas como Christian Loubotin, Sergio Rossi, Fratelli Rossetti, Paraboot, Sonia Rykiel e Guido Pasquali.

– Somos parceiros de um grupo de investidores da França especializado em varejo. Agora, nosso foco é Portugal, Espanha e França, mas em breve vamos para a Itália. Ao todo, já são 14 lojas da empresa na Europa.

Ojornalista viajou a convite do governo da França
* Com colaboração de Raphael Hakime, do R7 em São Paulo