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Firjan: redução de jornada de trabalho pode falir empresas

Fonte: JB Online

Centrais sindicais de todo o País voltam à carga com uma antiga reivindicação: a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais. Na última segunda-feira, representantes de vários sindicatos se reuniram em São Paulo para colher assinaturas para um abaixo assinado que será entregue ao Congresso Nacional. Para a Federação de Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), a redução pode falir empresas e gerar desemprego.

"Com a redução da jornada, os sindicatos querem forçar o surgimento de um novo turno, com a contratação de novos trabalhadores. Mas se esquecem dos altos encargos que as empresas pagam por cada trabalhador contratado. Muitas (empresas) não suportariam essa nova demanda de mão-de-obra e acabariam por falir, gerando mais desemprego", explica Dalila Palhares, do departamento jurídico da Firjan.

Para ela, a redução da jornada de trabalho pode causar um colapso na economia, já que a reivindicação prevê apenas a diminuição das horas trabalhadas e não dos salários.

Já Marcelo Azevedo, representante da CUT-RJ, diz que a redução da jornada irá criar novos empregos.

"Com 40 horas semanais, as empresas terão que criar novas vagas, para suprir a demanda. Com isso, novos trabalhadores serão contratados e o desemprego diminuirá", explicou.

De acordo com nota técnica divulgada em novembro do ano passado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) a economia brasileira apresenta condições favoráveis para esta diminuição, já que a produtividade do trabalho mais que dobrou nos anos 90, além do custo do trabalho no Brasil ser um dos menores do mundo.

"Diversos países mais desenvolvidos que o Brasil possuem uma jornada de trabalho bem menor que a nossa. Temos um dos custos de mão-de-obra mais baixos do mundo, mas uma carga horária de trabalho que está entre as mais extensas do planeta", exemplificou.

Um dos modelos mais citados pelos sindicalistas é o francês, onde a jornada de trabalho é de apenas 35 horas. A redução de horas trabalhadas, porém, não foi garantia de sucesso, já que houve aumento das horas extras, além de intensificação do ritmo de trabalho dos funcionários, para que as metas fossem cumpridas. Hoje em dia, novos ajustes à rígida lei trabalhista no país já estão sendo estudadas.

"A experiência feita na França não deu certo e aqui no Brasil, onde as condições econômicas são negativas, o efeito pode ser desastroso", disse Dalila. "Esse é um projeto que deve ser estudado com maturidade e calma. Vamos esperar que o projeto chegue ao Congresso para que possamos intervir, se for necessário."

A meta dos sindicalistas é recolher 1,5 milhão de assinaturas até o mês de maio, para que o projeto seja enviado ao Congresso Nacional, em Brasília.

"Até lá teremos diversas manifestações das principais centrais sindicalistas em todos os estados do país. Aqui no Rio deve acontecer no mês de março."