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Falta crédito para pequena empresa em todo o mundo

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Falta de financiamentos e linhas de crédito para pequenas e médias empresas é comum em diferentes países, quer sejam desenvolvidos ou emergentes

Vanessa Brito

Brasília – Pequenas e médias empresas em todo o mundo contam com poucas linhas de crédito e financiamento oferecidas tanto pelas instituições financeiras privadas quanto públicas. Essa realidade, portanto, não é prerrogativa das pequenas e médias empresas brasileiras. Ela é a mesma enfrentada pelo setor em vários países, apesar de ser reconhecido como responsável pela geração da maioria dos empregos e renda no mundo.

A primeira plenária da Conferência Internacional da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre Financiamento para o Empreendedorismo e o Crescimento de Pequenas e Médias Empresas reforçou essa constatação.

O evento foi aberto, na segunda-feira (27), pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Luiz Fernando Furlan, e está sendo realizada no Centro de Convenções de Brasília. Oitocentos representantes de cerca de cem países estão presentes na conferência, que prossegue até quinta-feira (30).

A dificuldade encontrada pelas pequenas e médias empresas para obter financiamentos e empréstimos do sistema financeiro privado ou público é comum tanto em países ricos quanto nos chamados países emergentes. A ausência de capitais disponíveis para apoiar empreendimentos e empresas no estágio inicial ou de crescimento compromete a economia global. E também corrobora para a perpetuação da má e perversa distribuição de renda e riquezas no mundo.

A ausência de políticas públicas eficazes que garantam os empréstimos ao setor, o desconhecimento das instituições financeiras sobre as pequenas e médias empresas e a fragilidade dos ambientes institucionais e legais nos países foram apontados, na plenária do evento desta terça-feira, como os principais empecilhos para o desenvolvimento do empreendedorismo e das pequenas e médias no mundo.

“As pequenas e médias empresas são a força motriz da economia. O reforço do financiamento ao segmento e a internacionalização do mundo dos negócios são essenciais na nova economia”, disse Serge Boscher, vice-presidente e diretor do grupo de trabalho sobre pequenas e médias empresas e empreendedorismo na OCDE. Ele foi o debatedor do quarto painel da plenária.

Painéis

O tema debatido na primeira plenária da conferência foi As lacunas financeiras para as PME: teoria e realidade, que foi dividido em quatro painéis. Após uma rápida apresentação sobre o papel da OCDE, o primeiro painel abordou a perspectiva do setor das médias e pequenas empresas. O segundo painel tratou da perspectiva do setor financeiro sobre a concessão de créditos e financiamentos. A perspectiva do setor financeiro: equidade financeira, foi o tema do terceiro painel.

A perspectiva dos governos foi o tema do quarto e último painel da plenária. “Qualquer melhoria no ambiente contratual beneficiará as PME”, disse Augusto de la Torre, assessor sênior do Banco Mundial para América Latina e Caribe. Segundo ele, o mau ambiente institucional e regulatório é particularmente destavantajoso para as pequenas e médias empresas.

Os governos devem envidar todos esforços para melhorar a legislação e o sistema de informações sobre as PME, de acordo com la Torre. “A fragilidade de mercado, falta de leis eficazes e falta de informações sobre o setor levam à exigência de garantias pelo sistema financeiro”, argumentou.

Ele citou como exemplo um programa de financiamentos do México, onde o governo cobre até certo ponto o risco do empréstimo. As PME, que estão se beneficiando do fundo de garantia parcial mexicano, estão se desenvolvendo melhor, contou o assessor do Banco Mundial.

Segundo Serge Boscher, debatedor do painel sobre perspectivas do governo, “cabe ao poder público levantar o perfil das empresas que demandam empréstimos. “A oferta deve corresponder à demanda e o governo deve ser rápido e vigilante para equilibrar o mercado, visando a concorrência saudável entre as empresas”, afirmou.

Umas das intervenções feitas pelos participantes da plenária veio de Cláudio Furtado, professor do Centro de Estudos de Capital de Risco da Fundação Getúlio Vargas. Ele chamou a atenção dos presentes para a iniciativa chilena, onde o governo implementa um sistema inovador de garantia, oferecendo assistência às PME. Geralmente os governos injetam recursos em fundos de garantia para PME, mas no Chile o programa envolve a realização de leilão de garantias ao setor privado. “Essa estratégia merece exame mais detalhado”, alertou Furtado.

Conclusão

Ao final da plenária, o presidente da OCDE, Herwig Schlögl, apresentou as principais conclusões dos debates. Ele as resumiu em duas questões evidentes. A primeira, de que há um déficit financeiro para as PME, o que demonstra o mau funcionamento do mercado de capitais em paises em desenvolvimento e em países-membros da OCDE, apesar de terem mercados financeiros maduros e bem funcionais, segundo o presidente do organismo internacional.

A segunda conclusão é de que as PME são inovadoras e sumamente importantes para a economia mundial. “É preciso ter capital disponível para essas empresas, tanto na fase inicial como para apoiar o desenvolvimento e consolidação delas”, disse Schlöl.

Ele citou o exemplo do Reino Unido, onde o sistema de garantia de crédito considera o estágio e os ativos intelectuais e de valor das empresas na contratação de empréstimos e financiamentos. “É preciso dar continuidade ao diálogo no mundo empresarial e junto aos formuladores de políticas públicas. Precisamos reconectá-los ao mundo real, ao setor público, ao empresariado financeiro e às PME”, concluiu o presidente da OCDE.

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