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Falsas associações aplicam o “golpe do boleto” em microempreendedores

Metrópoles

 

 

 

 

Sebrae alerta que atualmente boletos bancários não são mandados por e-mail nem para a residência dos empresários. Os empreendedores pagam as falsas contas acreditando serem impostos

Beatriz Faria, 23 anos, é cineasta e em janeiro deste ano resolveu legalizar os trabalhos que faz para produtoras na área de audiovisual. Foi então que surgiu a ideia de tornar-se uma microempreendedora individual (MEI), podendo assim ter nota fiscal e até mesmo pagar INSS, garantindo uma renda caso um acidente aconteça. A legislação que regula o setor está em vigor há sete anos e classifica como pequeno empresário aquela pessoa que trabalha por conta própria.

As taxas para o microempreendedor individual também são baixas, buscando atrair as pessoas que não têm condições de arcar com altos impostos. Tanto que para ser um MEI a pessoa pode faturar no máximo R$ 60 mil por ano. Atualmente, o gasto com impostos fica em cerca de R$ 50 por mês. Beatriz foi surpreendida, porém, por um boleto de R$ 299,80 neste mês de junho.

Eu estava devendo algumas taxas, mas sempre foi valor pequeno. Quando chegou esse boleto tão caro eu achei estranho e comecei a perguntar para outros amigos o que era isso. Estava no nome de uma associação que supostamente apoiaria o microempreendedor. Eles me falaram que também tinham recebido documentos de diversos órgãos e que eram falsos

Beatriz Faria

Tudo se trata mesmo de um golpe. Na internet, relatos desse tipo de cobrança ilegal se multiplicam em todo o Brasil, inclusive reclamações contra a mesma associação que mandou o boleto para a Beatriz, o Serviço Nacional de Apoio ao Comércio e Microempreendedor. O Metrópoles tentou contato com a entidade, mas o telefone que consta no boleto, de São Paulo, não atende e, na internet, não há nenhum site ou página oficial.

 

Arquivo Pessoal

Beatriz recebeu o boleto em seu nome e no seu endereço

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) alerta que muitas associações, falsas ou não, se aproveitam da falta de conhecimento de algumas pessoas para arrecadar dinheiro. Segundo o Sebrae, a principal dica para não cair no golpe é não pagar contas de remetentes desconhecidos.

Vale lembrar ainda que, desde janeiro de 2016, o microempreendedor individual não recebe mais boletos. “Agora, para imprimir o Documento de Arrecadação Simplificada (DAS), o MEI terá três opções: acessar o Portal do Empreendedor (www.portaldoempreendedor.gov.br); fazer o download do aplicativo Qipu, que, entre outras funcionalidades, permite baixar os carnês pelo celular, inclusive os vencidos; ou procurar a unidade do Sebrae mais próxima”, esclarece a nota.

“Com certeza, muita gente cai nesse golpe do boleto, se eu não tivesse perguntado, ligado, desconfiado, eu teria pagado. Eu até tentei denunciar isso, mas a polícia disse que como eu não cheguei a pagar eu não fui vítima, então, eu não posso denunciar. É muita má-fé usar da falta de informação de quem só quer pagar suas contas e ter tudo regularizado, para aplicar golpe”, desabafa Beatriz.

Procurada pela reportagem do Metrópoles, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal informou não ter números sobre esse tipo de golpe, já que ele é registrado como estelionato, com outros crimes como a emissão de cheque sem fundos e até mesmo a venda de um produto falsificado ou com defeito.