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Fabricantes pedem benefício tributário

Publicado em:

Talita Moreira, André Borges, Gustavo Brigatto e Manuela Rahal, de São Paulo

 

 

Os fabricantes de televisores e de conversores para TV digital pretendem pedir ao governo federal as mesmas medidas de incentivo tributário que impulsionaram a indústria de computadores no país.

 

A medida tem como objetivo incentivar as vendas de aparelhos capazes de receber o sinal digital, que ainda não são muito expressivas, um ano depois da primeira transmissão de imagens em alta definição no país.

 

 

A TV digital completa hoje seu primeiro aniversário no Brasil contando com apenas 645 mil espectadores, segundo projeções do Fórum do Sistema Brasileiro da TV Digital Terrestre (SBTVD). Alguns fabricantes de eletroeletrônicos afirmam que já se esperava uma adesão lenta à tecnologia, mas ponderam que o desempenho podia ser melhor.

 

 

Exatamente por isso, as empresas se mobilizam para dar um empurrãozinho na demanda. Na última sexta-feira, executivos de diversas companhias e de associações do setor reuniram-se com o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), para debater uma proposta de redução dos encargos tributários que incidem sobre o setor.

 

 

Ficou acertado que um documento será levado ao governador nos próximos dias e que ele conduzirá as discussões com os Ministérios de Ciencia e Tecnologia e do Desenvolvimento. A produção de conversores e televisores digitais está concentrada na Zona Franca de Manaus.

 

 

"O governo reduziu os tributos do computador e isso foi uma decisão acertada, porque diminuiu a carga tributária e aumentou a arrecadação global", diz Benjamin Sicsú , vice-presidente da Samsung. "Para crescer, a TV digital passa pelos mesmos caminhos."

 

 

Uma das requisições é de que os aparelhos tenham isenção de PIS e Cofins, a exemplo do que acontece com o mercado de PCs. Os aparelhos de TV digital são considerados eletroeletrônicos e não produtos de informática. Por isso, não estão contemplados nos benefícios fiscais criados pelo governo federal para incentivar as vendas de micros.

 

 

Fabricantes de eletroeletrônicos alegam que, até agora, o governo preocupou-se em apoiar só as emissoras. No início de 2007, o BNDES lançou o Programa de Apoio à Implementação do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Protvd), com R$ 1 bilhão para financiar a implantação da tecnologia no país. O programa foi desenhado para que emissoras adequassem seus equipamentos e investissem na produção de conteúdo em alta definição.

 

 

Segundo projeções do Fórum da TV digital, neste primeiro ano foram vendidos cerca de 150 mil conversores externos e embutidos em TVs; e 150 mil receptores móveis, usados em celulares, miniTVs e pen drives que permitem assistir à programação em PCs. A TV digital fecha este ano com sinal disponível em oito regiões metropolitanas, área que cobre cerca de 40 milhões de habitantes. No entanto, só 645 mil telespectadores usam a tecnologia até agora (considera-se uma média de 3,3 pessoas por televisor). É pouco.

 

 

Mesmo assim, emissoras e fabricantes avaliam que a implantação da TV digital no Brasil está longe de ser um fracasso. A avaliação é de que, no passado, a adesão a outras tecnologias também foi lenta.

 

 

O diretor de tecnologia da Philips, Walter Duran, recorda a chegada dos aparelhos de DVD ao país. "No primeiro ano, as vendas foram muito baixas e, hoje em dia, a maioria das pessoas tem um aparelho em casa. A TV digital deve acompanhar esse movimento."

 

 

Por meio de um comunicado, o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Pimentel Slaviero, afirma que o ritmo de expansão da TV digital é "muito positivo" e avalia que o crescimento do número de telespectadores será "exponencial" no próximo ano, com a introdução dos recursos de interatividade e a maior oferta de aparelhos.

 

 

A Rede Globo avalia que a popularização das vendas de televisores com tela plana vai ajudar a disseminar o interesse pela TV digital. De acordo com a Central Globo de Comunicação, novas tecnologias são caras no início, mas com o tempo os preços se tornam mais acessíveis. Atualmente, a emissora transmite 13 horas semanais de programação em alta definição – entre elas, a novela "A Favorita".

 

 

"Sempre tivemos consciência de que transmitir algo totalmente novo seria difícil, mas o Brasil está andando mais rápido que em alguns países europeus", diz Roberto Franco, diretor do SBT. A programação semanal da emissora oferece 15 horas de conteúdo em alta definição. Uma nova novela deve elevar esse volume para pouco mais de 20 horas.

 

 

A RedeTV já produz todo o seu conteúdo em alta definição – para isso, gastou R$ 30 milhões na adequação de seus equipamentos nos últimos 12 meses. Segundo Amilcare Dallevo Jr., presidente e sócio da emissora, investir na tecnologia foi uma decisão estratégica. "Nas cidades onde a TV digital estréia, a RedeTV está se tornando mais conhecida por ser a única que tem a programação toda em alta definição", diz.

 

 

O presidente da NEC Brasil, Herberto Yamamuro, afirma que o sistema deve deslanchar a partir do terceiro ou do quarto ano. A companhia não descarta fabricar no país transmissores de menor porte para as retransmissoras. Hoje, ela tem 12 equipamentos de alta capacidade em emissoras como Globo e RedeTV.

 

 

Quem apostou nas vendas de conversores para os aparelhos de TV analógica enfrentou dificuldades, mas os fabricantes que optaram pela produção de televisores que já têm o decodificador embutido obtiveram resultados melhores.

 

 

Em novembro, a Positivo Informática começou a fabricar decodificadores em parceria com a Teikon, mas suspendeu a operação cinco meses depois. Dos 40 mil equipamentos montados, apenas 25 mil foram vendidos. Os dois modelos lançados chegaram ao varejo custando R$ 499 e R$ 699. Há duas semanas, os preços caíram para R$ 399 e R$ 499. "Continuamos otimistas e acreditando no negócio", diz César Aymoré, diretor de marketing da Positivo.

 

 

Para Ricardo Frassini, gerente de produtos da Extralife, "o padrão brasileiro matou o mercado de conversores". O acesso, diz ele, deve vir por meio de outras tecnologias, como equipamentos portáteis com sintonizador embutido. A empresa não descarta a idéia de fabricar decodificadores se em algum momento houver demanda justificável. Mas, por enquanto, prioriza um sintonizador com entrada USB, que permite acessar à TV pelo computador.

 

 

A AOC lançou um sintonizador desse tipo no primeiro semestre e já comercializou "mais de 20 mil unidades", afirma Fábio Marraccini, gerente de produtos de consumo. Paralelamente, a empresa colocou no mercado uma linha de TVs com conversor digital embutido. O mesmo foi feito pela LG. A fabricante coreana não divulga números absolutos, mas diz que esses modelos representam 30% das vendas de TVs de plasma e LCD. "Sabíamos que a adoção seria gradual, mas os números são positivos", diz Fernanda Summa, gerente de produtos.

 

 
Maior cobertura e interatividade ajudarão em 2009
De São Paulo
02/12/2008
 
 

Em 2008, a TV digital seguiu um ritmo natural de transição, como destacam fabricantes e emissoras. Para eles, a velocidade de adoção no Brasil está maior do que nos Estados Unidos, Europa e Japão quando o sistema foi implantado. E 2009 traz muitas expectativas.

 

Com a disponibilidade do sistema que permitirá a interatividade (o Ginga), a chegada do sinal a todas as capitais até o fim do ano, além de iniciativas como a campanha de informação dos consumidores que o Fórum do Sistema Brasileiro da TV Digital Terrestre (SBTVD) pretende iniciar em janeiro, a indústria projeta um bom ano.

 

 

A Samsung quer fazer da TV digital a sua prioridade em 2009. A projeção é vender pelo menos 500 mil equipamentos com conversor embutido. "No ano que vem, pelo menos 30% dos nossos modelos vendidos serão de TV digital", diz Benjamin Sicsú , vice-presidente da fabricante.

 

 

Walter Duran, diretor de tecnologia da Philips, acredita que 2009 será um ano propício para vendas, uma vez que o mercado estará mais maturado.

 

 

Este ano, a empresa fabricou dois tipos de conversores, dois modelos de TV com conversor embutido, receptores para celular e notebooks, e pretende colocar a interatividade assim que o Ginga for homologado.

 

 

O sistema teve sua especificação fechada há cerca de uma semana, segundo Roberto Franco, diretor do SBT. Nos últimos meses, pesquisadores envolvidos com sua elaboração se depararam com a possibilidade de o sistema infringir propriedade intelectual de multinacionais de tecnologia. "Isso tudo foi revisto, estamos fazendo os últimos testes e logo o Ginga será colocado em consulta para a ABNT."

 

 

A companhia chinesa Proview, que em julho anunciou o primeiro "conversor popular" do país, que seria vendido a R$ 199, deve colocar o produto no mercado em 2009. "Com esse movimento de alta e baixa do dólar é complicado", comenta Jorge Cruz, diretor industrial da empresa.

 

 

A companhia informou que está aguardando a estabilização da taxa de câmbio para definir o preço do conversor, que nem chegou a ser fabricado.

 

 

O conversor da empresa que chegou ao mercado, lançado por R$ 299, já está custando R$ 350 por conta da variação cambial, comenta Cruz. De acordo com ele, a Proview já vendeu mais de 90 mil equipamentos e deve fechar o ano com 100 mil. (GB, MR e AB)

 

 

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