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Estudo segmenta classe C em quatro perfis

FOLHAweb

 

 

 

 

 

Grupo que representa 54% da população brasileira é formado por “batalhadores”, “experientes”, “promissores” e “empreendedores”

“Batalhadores”, “experientes”, “promissores” e “empreendedores”. Esses são os quatro perfis da classe C brasileira definidos pelo Serasa Experian e pelo Instituto Data Popular, no estudo “Faces da Classe Média”, divulgado ontem. Se fosse um país, a classe C seria o 12º mais populoso do mundo e o 18º em consumo. Viagens, eletrônicos e móveis para a casa estão no topo da lista de desejos deste grupo.

Formada por 108 milhões de pessoas que gastaram R$ 1,17 trilhão e movimentaram 58% do crédito no Brasil no ano passado, a classe C representa hoje 54% da população do País e em 2023 a estimativa é de que essa fatia suba para 58%, chegando a 125 milhões de pessoas. O estudo considera classe média a família com renda mensal per capita de R$ 320,01 a R$ 1.120.

O grupo dos “batalhadores” é o maior e o que mais consumiu em 2013: R$ 388,9 bilhões. Os idosos “experientes” da classe C gastaram R$ 274 bilhões, mais que os jovens “promissores”, que consumiram R$ 230,8 bilhões. Os “empreendedores” são a menor fatia, mas têm maior renda per capita e gastaram R$ 276 bilhões.

Mais de 30 milhões de pessoas se enquadram na categoria dos “batalhadores” e representam 39% da classe C. A média de idade é de 40,4 anos. A maioria é solteira (72%) e quase a metade tem carteira assinada (49%) e ensino fundamental completo (48%). O emprego é visto por eles como o caminho para a estabilidade e o estudo como oportunidade de ascensão social dos filhos.

Mesmo aposentados, os “experientes” continuam no mercado de trabalho para manter o padrão de consumo. O grupo com idade média de 65,8 anos é o que menos acessa a internet (7%). Dos 20,5 milhões de “experientes”, 41% são viúvos, 36% autônomos e 90% chegaram apenas até o ensino fundamental.

O grupo dos “promissores” é o mais jovem e o mais conectado, o qual representa 19% da classe C, com idade média de 22,2 anos. Do total de 14,7 milhões, 95% são solteiros, 72% acessam a internet e a maioria tem ensino médio completo (59%) e emprego com carteira assinada (57%). Eles veem no crédito a oportunidade de melhorar de vida, mas 51% admitem já ter pedido o controle das contas.

Os “empreendedores” formam o menor grupo, mas têm mais escolaridade e maior renda per capita. Representam 16% do total, com 11,6 milhões de pessoas e idade média de 43 anos. Mais da metade (60%) acessa a internet, 43% têm carteira assinada e 19% concluíram o ensino superior.

Para o gerente de Produtos da Serasa Experian, Marcelo Pincherle, o estudo traz a “oportunidade de se falar mais apropriadamente” com a maior parcela da população brasileira. “Até então, nós víamos a classe C como uma coisa única, não respeitávamos as diferença que existem nela”, declara.

Ele conta que, para definir os quatro grupos, foram levados em consideração mais de 400 variáveis. “São pessoas com características diferentes, com preocupações diferentes”, afirma.

Márcio Falcão, gerente de Projeto do Data Popular, ressalta que a classe C é a que mais cresceu nos últimos anos e vai continuar crescendo. “É um grupo heterogêneo. Por isso, a necessidade de segmentá-lo”, afirma. Segundo ele, a classe C no Sul do País cresceu menos nos últimos anos porque já era bem consolidada. A nova classe média representa 57% da população do Sul e do Centro-Oeste, 56% do Sudeste, 49% do Norte e 48% do Nordeste.

Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Flávio Balan, com a definição dos perfis, o comerciante pode “focar melhor” seu negócio. “A classe C é o nosso suporte, quem realmente gasta no comércio de rua, quem compra com qualidade, não tem preguiça de pesquisar”, afirma. Segundo Balan, o comerciante deve observar os perfis traçados e preparar sua loja de acordo com eles. (Com Agência Estado)

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Nelson Bortolin
Reportagem Local