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Estado é referência na prática contábil

Entidades gaúchas dão exemplo de pioneirismo e liderança ao desenvolver programas de qualificação para proporcionar capacitação constante à classe contábil

Lara Ely

A história tem mostrado que estados como o Rio Grande do Sul são celeiros de bons contadores. Pela liderança, competência e força das entidades de classe, o fato denota a preocupação que os profissionais têm com a categoria. Um exemplo disso foi a criação do Fórum de Entidades Contábeis neste ano, como uma das efetivas ações responsáveis pela coesão entre as associações.

O fórum é composto por todos os órgãos que representam os profissionais da Contabilidade no Estado e se propõe a promover discussões sobre temas de interesse da categoria. Criado em dia 21 de maio deste ano, o grupo é coordenado atualmente pela diretoria do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRC-RS).

Vivendo em um Estado com forte representatividade, os contadores gaúchos têm, além do Conselho Regional (que é responsável pelo registro e fiscalização), uma série de outras entidades que lhes asseguram suporte nas questões profissionais.

Entre elas estão o Sindicato dos Contabilistas de Porto Alegre, o Sindicato de Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas do Estado do Rio Grande do Sul (Sescon-RS), o Sescon Serra Gaúcha, o Sindicato dos Contadores do Estado do Rio Grande do Sul (Sindiconta) e o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon 6ª Região).

A busca por associados é sempre um dos grandes desafios das entidades de classe. E é por isso que elas mantêm o esforço constante de realizar cursos, eventos, projetos e estar conectadas nas questões atuais. Uma questão de destaque e que liga quase todas é que a participação dos estudantes tem sido muito incentivada no sentido de desenvolver habilidades e disseminar a importância da profissão.

Nos encontros de contabilidade que ocorrem em nível nacional, é de praxe escutar que o gaúcho tem uma boa fama como profissional. E o que explica isso talvez seja a busca por esclarecimentos, o fato de ser muito curioso e provocativo na melhoria constante e a superação. Pode-se dizer que essas são marcas tradicionais dos contadores daqui, justamente por pensarem que é preciso fazer no mínimo igual aos que vieram antes.

Entre alguns exemplos de contadores gaúchos que tiveram destaque nacionalmente estão Antonio Carlos Nasi, que foi representante do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) na Associação Interamericana de Contabilidade (AIC) e Pedro Gabril Kenne da Silva, vice-presidente de Relações Institucionais do CRC-RS, coordenador nacional do Programa de Voluntariado da Classe Contábil e vice-presidente de Relações Institucionais e Alianças do Observatório Social do Brasil. Ivan Carlos Gatti e João Verner Juenemann foram presidentes do CFC, Enory Spinelli atuou como vice-presidente do CFC e Ana Tércia Lopes Rodrigues foi conselheira. Isso só para citar alguns exemplos entre muitos outros que participam de decisões em grupos de trabalho e discussões setoriais.

Há quem atribua tal destaque ao rigor do gaúcho na hora de fazer transparecer seus atos, como é o caso do vice-presidente-técnico do CRC-RS, Antônio Carlos Palácios. “Dificilmente se vai encontrar algum gaúcho envolvido em escândalos. Em decorrência disso, as próprias fiscalizações são muito mais rigorosas e exigentes do que no Rio de Janeiro ou São Paulo. E isso torna o profissional ainda mais exigente com as informações”, afirma. Já para o presidente do Ibracon 6ª Região, Sérgio Fioravanti, isso ocorre muito em função da formação cultural do gaúcho.

Mutirão voluntário para aumentar as estatísticas

Tema mais debatido em 2010, a convergência às novas normas internacionais é uma das questões que ainda deve pautar a agenda dos contadores em 2011. Em função disso, assuntos relacionados ao IFRS são e continuarão prioridades para a gestão do Conselho Regional de Contabilidade (CRC-RS).

Segundo o vice-presidente-técnico da entidade, Antônio Carlos Palácios, o Conselho tem se ocupado de mostrar ao empresariado gaúcho que a contabilidade brasileira mudou. Em função dessas modificações, a entidade está investindo pesado em treinamento e qualificação, para preparar os profissionais contábeis.

Mesmo assim, um fator que dificulta a adaptação dos contadores é a preocupação permanente com relação às regras tributárias. “O fisco continua a milhão com suas mudanças. Isso atrapalha muito, pois é mais um encargo que o profissional está sofrendo”.

Dois seminários por mês em cada cidade do Interior. Uma vez por semana palestras no conselho, transmitidas pela internet. Treinamento com o Bndes para formação de multiplicadores, onde oito contadores foram capacitados para dar dez cursos apresentando as principais modificações. Essa é uma conta aproximada do empenho do CRC-RS em atualizar os contadores gaúchos.

Em 2009, apenas Palácios fez 120 palestras, e neste ano, até o momento, o número já atingiu a marca dos 85. “É claro que nesse mutirão contratamos empresas de treinamento e profissionais palestrantes. Mas 60 a 65% do volume do trabalho foi feito através do trabalho voluntário dos conselheiros”, explica.

Porém, com todo o esforço do conselho, a procura ainda está a desejar. Num universo de 35 mil contadores no Estado, a procura pelos cursos ainda gira em torno de 30% da classe contábil – o que Palácios considera uma baixa estatística.

Sindiconta quer ser extensão da universidade

A boa fase da contabilidade se reflete também na gestão interna das entidades contábeis. Segundo o presidente do Sindicato dos Contadores do Rio Grande do Sul (Sindiconta), Tito Viero, a entidade está com as atividades em franco crescimento. O Sindiconta registra atualmente incremento no número de associados, além de aumento na participação nos cursos e mais intercâmbio entre as entidades de classe. “O contador é muito voltado para si próprio, mas ele vive em um contexto social e profissional onde é preciso interagir cada dia mais”, afirma Viero.

Ele destaca que uma das atividades mais importantes é a parceria com a Fundacentro (entidade do Ministério do Trabalho), para realização de trabalho junto aos contadores-empregadores, para que eles cumpram a legislação em relação à segurança do trabalho. “Em função disso, temos visão muito clara de que estamos focados na valorização profissional. Lutamos pelo reconhecimento do contador na sociedade, e por seu constante aperfeiçoamento”, afirma.

Prova disso é que os cursos de aprimoramento são destinados a diversas áreas. Mas uma das que está em maior evidência é a previdenciária. Foi pensando nisso que o Sindiconta decidiu realizar um curso sobre cálculo previdenciário. “A matéria está muito na mão de advogados, e este é um nicho de mercado que o contador pode atuar”, complementa.

Uma iniciativa da entidade é o workshop online ensinando como vender os serviços, já que, “por ser tão voltado para si, às vezes o contador não consegue fazer o cliente perceber a importância de seu trabalho”. Viero defende a ideia de que a profissão foi vulgarizada pelos próprios contadores, e agora é um momento de se revalorizar. E para ele, esta valorização está também ligada aos esforços de marketing e comunicação.

Cursos de fluxo de caixa e auditoria fiscal são outras opções oferecidas pela entidade aos contadores.

Nova estratégia para atrair associado

Os projetos do Sindicato dos Contabilistas de Porto Alegre são focados em programa de palestras e cursos, convênios, ações sociais, relacionamento com outras entidades da classe e assessoria aos profissionais contábeis. Segundo o contador e professor universitário Marcone Hahan de Souza, vice-presidente do Sindicato dos Contabilistas de Porto Alegre, a entidade representa cerca de 17 mil contadores e técnicos em Contabilidade de Porto Alegre e mais de 59 municípios da Região Metropolitana e Litoral Norte do Estado.

Além disso, realiza projetos para acompanhar o dia a dia de seus associados, tais como colônia de férias, fóruns, seminários e estudos sobre os honorários contábeis.

“Dando seguimento à tradição de décadas, o sindicato compromete-se com a educação continuada, sendo que, mensalmente, são oferecidos palestras e cursos de atualização profissional, abordando temas de interesse da categoria”, afirma.

A partir de convênios estabelecidos com empresas comerciais e prestadoras de serviços, são oferecidos descontos especiais para os sócios do Sindicato. Neste sentido, destacam-se os convênios mantidos com faculdades que oportunizam a viabilidade de realização de curso superior (ou de um segundo curso) ou uma pós-graduação.

Atento às questões sociais, também realiza ações de arrecadação de alimentos, agasalhos e brinquedos, assim como participação efetiva na Corrida Contra o Diabetes e Mês da Solidariedade Contábil. Também é participante ativo do Encontro de Integração dos Contabilistas (Eicon), onde são realizados jogos das diversas modalidades esportivas.

Uma das novidades é que o Sindicato adquiriu um terreno na Praia do Barco, em Capão da Canoa, para a construção de uma pequena Colônia de Férias, com oito apartamentos. A expectativa é que no verão 2011/2012 os contabilistas já possam usar o espaço para descanso e lazer.