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Estabilidade reduz riscos das operações de crédito

A consolidação da estabilidade econômica depois de mais de dez anos do Plano Real criou a plataforma para o crescimento dos serviços de microfinanças. A avaliação é do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

“Este é o momento do microcrédito”, disse ele, que esteve nesta quinta-feira na Capital para a abertura do 6º Seminário Banco Central sobre Microfinanças, que termina nesta sexta-feira, no Centro de Eventos Plaza São Rafael. Meirelles disse que o equilíbrio dos indicadores macroeconômicos diminuiu os riscos das operações de crédito, atraindo o interesse de instituições financeiras para segmentos de mais baixa renda, que utilizam serviços como microcrédito e crédito consignado.

O presidente do BC acrescentou que o crescimento das cooperativas de crédito, correspondentes bancários e a disponibilidade de microcrédito vêm contribuindo para a inserção da população de baixa renda no sistema. “Há um avanço na capilarização do mercado financeiro”, resumiu. Ele acrescentou que o governo deve dar atenção a questão das microfinanças, que “devem ganhar, no Brasil, a importância que têm em outros países”.
Meirelles evitou falar sobre a política de juros e os prejuízos causados pelo câmbio aos exportadores. Sobre a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), ele se limitou a dizer que o texto “é uma expressão das decisões do BC”. Questionado sobre possíveis ações do banco para conter a queda da moeda americana, ele disse apenas que o papel do banco é “fazer com que o mercado de câmbio funcione de forma adequada sem permitir distorções nos preços”.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que a instituição adotou uma medida prudencial no começo desta semana ao modificar as regras de exposição ao risco cambial dos bancos. “Esta foi uma medida de ordem prudencial, que visa continuarmos o aperfeiçoamento do mercado financeiro brasileiro de maneira que os bancos possam ter uma estrutura de risco adequada ao bom funcionamento do mercado”, disse ele. Questionado sobre se o BC poderá tomar novas medidas na mesma linha, Meirelles afirmou que a instituição “emite regulações prudenciais normalmente”. Conforme o presidente do BC, este é um processo “que atinge diversas áreas e é uma função cotidiana do BC”.
O BC reduziu de 60% para 30% a exposição ao risco cambial dos bancos em relação ao patrimônio de referência. Elevou ainda o requerimento de capital incidente sobre a exposição cambial dos bancos de 50% para 100%, medida que entrará em vigor no dia 2 de julho. O BC também decidiu adicionar ao valor de exposição cambial líquida os valores compensados internacionalmente pelos conglomerados bancários, que também passa a vigorar no próximo dia 2.

Analistas acreditam em novo corte da Selic

O economista sênior do Dresdner Kleinwort, Nuno Camara, manteve sua previsão de um novo corte de 0,50 ponto percentual nos juros básicos (Selic) em julho após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando a taxa recuou de 12,50% para 12%. “A linguagem da ata sugere que um maior relaxamento monetário está a caminho”, disse Camara. “Entretanto, não há indicação na ata sobre a magnitude do próximo corte, por isso um real forte e uma maior expansão econômica serão fatores-chave para determinar isso. Mas como a tendência para ambos continua positiva, mantemos nossa aposta de um novo corte de 0,50 pontos base.”

Camara observou que as autoridades monetárias foram cautelosas ao avaliar cada indicador econômico para mostrar que a economia, principalmente o gasto do consumidor, está se expandindo numa taxa cada vez maior. “E todas indicações são de que a demanda agregada vai continuar se expandindo num ritmo robusto como reflexo do crescimento real nos salários e emprego, um ambiente de crédito favorável e uma política fiscal expansionária, cujo impacto ainda tem que ser totalmente sentido pela economia.”
Para o economista Flávio Serrano, da Corretora López Leon, a ata da reunião de junho do Copom é neutra e deixa um espaço confortável para as futuras decisões que o Banco Central tomará sobre a taxa básica de juros.

BB lança serviços para elevar carteira de clientes

O Banco do Brasil lançará, dentro de 30 dias, uma página na internet pela qual investidores poderão fazer uma simulação das taxas de juros da instituição. O vice-presidente de Tecnologia e Logística, Manoel Ximenes, explicou que o objetivo é o de estimular as pessoas a procurarem juros menores e fazerem a portabilidade do crédito para o BB.

“Será um passo importante para a portabilidade do crédito”, avalia. Ele disse acreditar que a maior dificuldade para as pessoas procurarem outro banco é a necessidade de ter que irem pessoalmente às agências para simularem os juros e as condições do crédito. “É um processo complicado e dificultado por causa da parte operacional. Queremos estimular as pessoas a observarem as taxas praticadas pelos bancos, que são muito diferentes”, disse.