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Especulação faz sumir imóveis de até R$ 100 mil

JORNAL DA PARAÍBA

Por: JEAN GREGÓRIO

Durante quase seis meses, o casal Mitchell Azevedo e Patrícia Morais pesquisou de forma intensa em classificados de jornais, nas visitas às imobiliárias, construtoras e até mesmo Feirão da Caixa, em João Pessoa, na tentativa de financiar um apartamento nos Bancários no valor de até R$ 100 mil, mas nesse patamar não foi encontrado. “Dentro do perfil que procurávamos, encontramos apenas apartamentos acima de R$ 130 mil. Para viabilizar o financiamento tive de vender um imóvel no Geisel e dar entrada no sinal diretamente com a construtora para não pagar mais caro quando ele estiver pronto, na hora de sair o financiamento da Caixa”, revelou a professora Patrícia, ao afirmar que os imóveis abaixo de R$ 100 mil “estão escassos”.

Talvez o grande problema tenha a ver com o foco das construtoras. O gerente de Operações do Grupo Capuche, Martônio Medeiros, disse que quanto à produção de imóveis, a maioria das empresas da capital, até o lançamento do Programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, não tinha como foco as classes C e D. “A indústria da construção civil sempre priorizou imóveis para classe média alta com valores com média de R$ 150 mil e acima de 200 mil, enquanto a Caixa Econômica Federal (CEF) mantinha linhas de financiamentos para as outras classes sociais, mas o problema agora é que houve uma forte demanda para uma oferta ainda muito pequena”, afirma o gerente, que prometeu que o Capuche está preparando lançamentos dentro do perfil do programa federal até o final do ano.
Já o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Paraíba (Creci), Rômulo Soares, foi mais taxativo sobre o problema de escassez de imóvel para a classe média baixa na capital. “O problema está no preço da avaliação dos imóveis. O produto está em falta devido ao erro da Caixa Econômica Federal no ato de avaliar o imóvel para as diversas classes sociais, faz uma avaliação dos imóveis das construtoras direcionados para a classe média baixa. Um imóvel que custa, por exemplo, R$ 100 mil é avaliado pelo banco por apenas R$ 60 mil ou R$ 70 mil. A Caixa tem de entender que um imóvel tem um preço mercadológico que leva em consideração o preço e a lei da oferta e da procura e não apenas uma avaliação estrutural. Essa postura da Caixa desmotivou várias construtoras a lançar imóveis para as faixas de renda menores”, declarou.
Segundo Soares, apesar do crescimento das linhas de financiamento da Caixa, o autofinanciamento de imóveis na capital segue disparado. Dados consolidados pelo tecnólogo em imobiliária Fábio Henriques, assessor do Sinduscon-JP (Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa) mostra que as construtoras da capital financiaram mais de R$ 580 milhões contra R$ 234 milhões da Caixa, porém, os financiamentos da CEF entram nas diversas linhas da habitação como reforma de casa e materiais de construção enquanto do Sinduscon apenas imóveis.
Contudo, o levantamento mostra que houve crescimento de 30% no preço médio dos imóveis. Em 2007, o valor médio financiado dos imóveis pela construtora foi de aproximadamente R$ 150 mil contra R$ 200 mil no ano passado. Os dados deste primeiro semestre não foram consolidados.