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Especialistas discutem desafios e benefícios do biodiesel

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A mistura obrigatória de 2% de biodiesel ao diesel deve alavancar o mercado de combustível renovável no País

Brasília – A partir de janeiro de 2008 o diesel terá 2% de biodiesel (B2). Essa medida adotada pelo governo brasileiro traz desafios e ao mesmo tempo é uma forma de alavancar a cadeia de combustíveis renováveis. Para se ter uma idéia do impacto positivo dessa medida no mercado de biodiesel, basta verificar os números do consumo de diesel fóssil no País.

No ano passado, o mercado de diesel movimentou o volume de 39 milhões de metros cúbicos, o que levou o diesel a ter 54% de participação em relação aos combustíveis automotivos usados no País. Além disso, o Brasil ainda precisou importar 8% do que consumiu naquele ano. Por conta destes números, a expectativa para o mercado de biodiesel é alta. Estima-se que serão necessários 840 milhões de litros de biodiesel para atender à medida de acréscimo de 2% ao diesel fóssil.

Por isso, empresas distribuidoras de combustíveis já estão se mobilizando para atender a essa demanda. Algumas já fazem a distribuição do combustível renovável. A empresa AleSat, por exemplo, foi pioneira no lançamento do biodiesel para comercialização. Presente em 20 estados, com 1,1 mil postos, a empresa identifica e faz negócio com fornecedores de biodiesel que trabalham dentro das exigências do marco regulatório brasileiro. Com isso, passou a distribuir o biodiesel desde março de 2005.

O presidente do Conselho de Administração da AleSat, Sérgio Cavalieri, destaca que os consumidores estão aceitando bem o combustível ecologicamente correto. “Não tivemos registro em nossos postos de recusa do biodiesel. Pelo contrário, acredito que, assim como ocorreu com o álcool, no futuro, o motorista de caminhão poderá optar entre usar diesel, biodiesel puro ou os dois misturados”, diz.

Segundo Cavalieri, em breve todos os estados brasileiros serão abastecidos com B2 pelos postos da rede AleSat. “São muitas vantagens que o biodiesel traz. Já tivemos a percepção de que ele emite menos fumaça, reduz o ruído do motor e aumenta a sua potência, além de reduzir o consumo de combustível”, destaca.

Outro grupo que também já está no mercado do biodiesel é o Ipiranga. A rede tem apoiado programas que têm a sustentabilidade ambiental comprovada. No mês de setembro deste ano, a empresa atingiu a comercialização de 45% de B2 e B5, em relação ao volume total de óleo diesel vendido.

100% biodiesel

A B100 Participações, empresa que desenvolve diversos projetos de produção limpa, faz testes em frota de ônibus de São Paulo. Em 2,1 mil ônibus foi usado combustível com 38% de biodiesel. A experiência revelou a redução em 60% da emissão de partículas poluentes por esses veículos. “Na garagem desses ônibus, o piso é branco. Já não se tem mais aquela fumaça preta”, diz a coordenadora da B100, Ivonise Campos.

A expectativa é de que esse combustível seja usado em todos os centros urbanos. Além de beneficiar o meio ambiente, toda a cadeia produtiva do biodiesel sai ganhando. “Trabalhamos com vários setores da economia e a nossa proposta é integrar o trabalhador do campo e o da cidade. Vamos diretamente ao produtor para verificar a qualidade da matéria-prima usada na extração do óleo”, explica Campos.

Segundo ela, para o uso do B38 não foi necessária nenhuma adaptação no motor dos ônibus. “Só precisamos mudar as rotinas de manutenção e os filtros do motor”, destaca. Por conta disso, a empresa já faz testes com o combustível 100% biodiesel.

“Esses exemplos mostram que a introdução do biodiesel pode ser feita sem traumas”, ressalta Rodrigo Rodrigues, da Casa Civil. Segundo ele, a preocupação do governo é unir os elos dessa cadeia para permitir que o biodiesel produzido no País tenha qualidade, regularidade e venha a ocupar também o mercado externo.

Os desafios do biodiesel foram debatidos durante a 2ª Enerbio, realizada em Brasília (DF). O evento, que contou com patrocínio do Sebrae, reuniu de 9 a 11 de outubro especialistas para discutir o desenvolvimento da agroenergia no Brasil. As conferências, seminários e feira integrantes da Enerbio atraíram representantes de grandes grupos internacionais, além de delegações de 12 países, a metade deles da África.

O sucesso do evento motivou a realização da Enerbio além das fronteiras brasileiras. Em setembro de 2008, Moçambique, na África, vai receber o evento. Em outubro, acontecerá a 3ª Enerbio, no Brasil. E, no mês de novembro ocorrerá a Enerbio União Européia, em Portugal.

Serviço:
Agência Sebrae de Notícias – (61) 3348-7494 e (61) 2107-9359 / 9362