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Envio de remessas de brasileiros no exterior chega a US$ 7,4 bi em 2006

Folha Online

da BBC Brasil

Os brasileiros residentes no exterior enviaram em 2006 um total de US$ 7,4 bilhões (o equivalente a R$ 13,5 bilhões), em remessas para o Brasil.

A estimativa consta do recém-divulgado relatório Sending Money Home (Mandando Dinheiro para Casa), formulado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo Fundo Internacional da ONU para o Desenvolvimento Agrícola (Ifad, na sigla em inglês).

A cifra excedeu a expectativa para 2006 que havia sido divulgada pelo BID em outubro do ano passado, que era de US$ 7 bilhões. Segundo o órgão, os números de remessas brasileiras relativas a 2005 ficaram na faixa de US$ 6,4 bilhões.

Os autores do documento estimam que um total de 150 milhões de imigrantes em todo o mundo enviaram o equivalente a US$ 300 bilhões a seus países de origem em 2006.

Mapa completo

É a primeira vez desde que o mapa de remessas começou a ser divulgado pelo BID, em 1999, que o estudo se estendeu a a todas as regiões do planeta. Dados relativos a 162 países são analisados na atual edição do estudo.

A Índia foi o país que mais recebeu remessas em 2006, um total de US$ 24,5 bilhões, seguido do México, com US$ 24,2 bilhões e da China, US$ 21 bilhões.

Segundo o documento, o principal destino das remessas foi a Ásia, que recebeu mais de US$ 114 bilhões, seguida pela América Latina e o Caribe (US$ 68 bilhões), Leste Europeu (US$ 51 bilhões), África (US$ 39 bilhões) e o Oriente Médio e o Cáucaso (US$ 29 bilhões).

Taxa elevada

Assim como nos relatórios anteriores do BID, o Brasil teve a mais elevada taxa de remessas da América do Sul, mas é superado entre as nações latino-americanas pelo México, cujas remessas chegaram a US$ 24,3 bilhões.

Mas o papel desempenhado pelas remessas no PIB brasileiro, de 0,3%, é mínimo se comparado com o de outros países sul-americanos.

O índice de remessas boliviano, por exemplo, que é bem inferior ao brasileiro, de US$ 972 milhões, representa um total de 8,7% do PIB do país. O do Equador, que totalizou US$ 3,1 bilhões em remessas em 2006, atende por 7,8% do PIB.

A parcela desempenhada pelo envio de dinheiro sobre as economias nacionais é bastante expressiva em diversos países, em especial os africanos. Em Guiné Bissau, por exemplo, as remessas representaram o equivalente a 48,7% da economia do país no ano passado. Em São Tomé e Príncipe, o índice foi de 39% e na Eritréia, de 37,9%.

No Tadjiquistão, o envio de dinheiro representou um total de 36,7% da economia local, na Moldávia, o equivalente a 31,4%, e nos territórios palestinos, um total de 34,7%.

Quantias

Segundo o BID e a Ifad, a cifra de remessas de 2006, de US$ 300 bilhões, excede em muito o total de doações e investimentos feitos por bancos de fomento e instituições que investem em países em desenvolvimento. O total de doações feitos por essas entidades no ano passado ficou na faixa de US$ 104 bilhões.

No entender do diretor-geral do Fundo de Investimento do BID, Donald Terry, o fato de o valor das remessas exceder o de investimentos indica que "o que quer que nós tenhamos feito por esses países, isso não foi o suficiente".

Terry comentou também que as remessas hoje em dia atuam não somente como uma forma de atenuar a pobreza, mas como um fator de desenvolvimento que deverá indicar novas formas de ação para bancos de fomento e organizações assisntenciais.

Segundo Kevin Cleaver, presidente-adjunto do Ifad, "as remessas aumentaram tanto que elas deverão indicar qual o caminho que será seguido por insituições de assistência internacional".