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Empresários ignoram economia estagnada e investem no próprio negócio

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Historicamente, os momentos de retração econômica são excelentes para investir em bons negócios. Muitos deles crescem, justamente, em épocas delicadas como a de agora. Basta ponderar fatores pessoais e de mercado. Contrariando consequentes impactos negativos como demissões e desaceleração da economia, alguns mineiros se encheram de coragem e investiram no próprio empreendimento com perspectivas bem positivas.

Atuante no ramo de panificação, o empresário Luiz Carlos Félix decidiu ampliar sua área de atuação, investindo num nicho diferente. Em parceria com a cunhada, Maria Fernanda Fernandes Abade, inaugurou, em fevereiro, a Cantina Luigi, em Contagem, na Grande BH. O restaurante é especializado em comida mineira e italiana. Ou, melhor dizendo, “em comida saudável, de qualidade e com bom preço”, como ele mesmo faz questão de ressaltar.

O empresário sempre teve o desejo de investir no ramo. A ideia só se tornou realidade depois que a cunhada ficou desempregada. “Quis ajudar a Fernanda e, como já tinha vontade de montar alguma coisa nessa área, resolvemos abrir o restaurante. Já tinha gosto pela coisa. Pegamos um momento crítico na economia, mas começamos bem. Hoje, posso dizer que está dando para pagar as contas”, conta Luiz, confiante.

Para a família empreendedora, tudo é novidade. “O ramo de panificação é bem diferente. Em tudo. Nas questões de investimento, mão de obra, forma de lidar com o público, reposição de estoque… Requer da gente personalização e criatividade para tentar sobreviver à crise”, descreve o empresário, que investiu cerca de R$ 90 mil no novo empreendimento.

No mês de inauguração, o restaurante foi um sucesso, segundo Luiz Carlos, porque era novidade na região. Houve, no entanto, uma retração no segundo mês. “Percebemos que a crise refletiu no bolso das pessoas. Por mais que seja um negócio de comida, ninguém vai sair todo dia de casa para almoçar fora, por exemplo. Só agora, no terceiro mês, conseguimos obter um equilíbrio financeiro, mesmo com a retração econômica no país.”

Maria Fernanda concorda com o sócio. Responsável pela cozinha da cantina, ela admite que o início foi mais difícil do que imaginava. Especialmente na prática pela falta de experiência e dificuldade na contratação de mão de obra de qualidade. É a empresária quem põe, literalmente, a mão na massa. No mês de inauguração, emagreceu seis quilos. “Só agora, com as coisas um pouco estabilizadas, consegui recuperar três. Como era tudo muito novo, pesado e não dominávamos, tive medo de me entregar. Mas fui aprendendo na marra. Hoje, está muito prazeiroso”, conta.

No começo, sem quadro de pessoal, eles contavam com a ajuda de toda a família. Agora, com seis funcionários fixos durante a semana e outros quatro eventuais aos sábados e domingos, a cantina segue caminhos promissores. Os empresários pretendem, agora, fazer convênios com empresas da região para fornecimento de marmitex para os empregados. “A ideia não é ser só mais um fornecedor de marmitex. Queremos servir para o empregado a mesma qualidade que serviremos para o empregador”, pondera Félix, que prevê o retorno do investimento em, no máximo, 18 meses.

Aposta em nicho promissor

Abandonar um emprego estável e um cargo de confiança para investir no próprio negócio em pleno cenário de retração da economia pode parecer suicídio aos olhos dos mais precavidos. Não para a nutricionista Letícia Namíbia Ribeiro e Castro. Então gerente de unidade de um restaurante industrial em Belo Horizonte, ela preferiu se demitir depois de vencida sua licença-maternidade para, além de poder se dedicar mais ao filho, abrir a própria empresa.

Há três meses, Letícia investiu em um delivery de saladas, o Mukua Nutrição e Vida. “Antes de fazer nutrição, fiz um curso de cozinheiro pelo Senac. Estava trabalhando como gerente de unidade de um restaurante industrial, engravidei, saí de licença-maternidade de 120 dias e, como a empresa não me liberou férias remuneradas para amamentar o bebê, pelo menos até os seis meses, pedi demissão. Então, pensei no que eu poderia fazer que gostasse e ainda ficar mais tempo com meu filho. Pesquisei e percebi que esse tipo de serviço é precário na capital e as empresas não atendiam a toda Belo Horizonte. Então, resolvi investir nessa linha saudável de delivery de saladas e sucos naturais”, conta.

O sucesso do empreendimento, que começou na cozinha de casa, é tão grande, que ela será obrigada a expandir o negócio. “A princípio, faço em casa, com a ajuda da minha mãe e duas tias, mas já estou alugando um lugar maior, porque a demanda é grande. Atendo um público muito específico, que não vai deixar de seguir sua dieta por causa da crise.”

A nutricionista, que investiu cerca de R$ 4 mil para começar o negócio, também oferece um serviço personalizado aos clientes. Letícia é personal diet. “Vou à casa do cliente e faço toda a avaliação nutricional dele. Se quer mudar a alimentação, se será a longo ou médio prazo os seus objetivos. Monto a dieta baseada nas informações que eles me passam e ofereço o produto.”

Letícia diz que a empresa ainda está em fase de divulgação: “Mesmo assim, o retorno é bastante positivo, levando em consideração a crise que o país está vivendo. Já fiz algumas parcerias. Na Cemig, por exemplo, todos os funcionários têm 10% de desconto nos nossos serviços”.

Além de utilizar o telemarketing para fazer os pedidos, a empresária aderiu ao Social Commerce. Os pedidos podem ser feitos pelos perfis da Mukua no Facebook, Instagran e WhatsApp. “Por enquanto é assim e tem dado muito certo. Penso que temos de investir nas redes sociais como meio de divulgação e trabalho também. É o que as pessoas têm acesso hoje.”