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Empresários criticam a carga tributária

Joyce Carvalho

O otimismo quanto ao desempenho econômico de 2006 está tomando conta do empresariado paranaense. Os executivos esperam aumentar o faturamento e o lucro neste ano. Foi isso o que revelou a pesquisa Panorama Empresarial Paraná, elaborada pela consultoria Deloitte em parceria com o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef). O levantamento teve uma amostragem de 62 empresas de várias regiões do Estado, que em seu conjunto possuem R$ 22,6 bilhões de faturamento anual, representando 22,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná.

Os empresários paranaenses que participaram da pesquisa afirmaram que os principais problemas enfrentados pelo Brasil são a alta carga tributária (para 97% deles), altas taxas de juros (73%), corrupção (65%), falta de segurança (57%), baixo nível de educação (48%) e falta de infra-estrutura (47%). “Os dois primeiros itens foram uma constante em todas as pesquisas regionais feitas por nós. Esta combinação é fatal para as empresas, porque inibe investimentos e causa a perda de competitividade”, explica Cosme dos Santos, sócio responsável pelo escritório da Deloitte em Curitiba.

Quanto à expectativa da atuação do governo federal, os executivos são pessimistas nas áreas de saúde, educação e segurança. Em contrapartida, os fatores melhor avaliados são a política cambial e a atração de investimentos estrangeiros. “O fator política cambial, com 70% de expectativa boa (entre ótimo, bom ou regular), chamou a atenção porque seria um ponto crítico. Os empresários acham que a política cambial tem sido regular e boa”, afirma José Écio Pereira, presidente da Ibef e sócio da Deloitte. Segundo a pesquisa, em 2006 o governo federal deveria priorizar a reforma tributária, a redução das taxas de juros, a promoção do crescimento econômico, o incentivo na melhoria da educação e o investimento na infra-estrutura.

Conforme o empresariado paranaense, a taxa de inflação de 2006 deve ficar em torno de 5,9%, as contas internas terão superávit (opinião de 62% das empresas) e as taxas de juros devem cair ao longo do ano (para 85%). Pouco menos da metade dos empresários (45%) aposta que o real passará por uma desvalorização superior à taxa de inflação registrada no período. Para 43%, a desvalorização será igual à taxa de inflação.

Paraná

O levantamento aponta que o PIB do Estado deve crescer 3,8% em 2006, considerando as opiniões dos executivos. As expectativas para os negócios são otimistas, com a previsão de aumento ou manutenção dos níveis de produção (59% e 33%, respectivamente), emprego (53% e 34%), de atração de investimentos estrangeiros (23% e 52%), do PIB (73% e 20%), das exportações (61% e 21%) e das importações (56% e 28%, respectivamente).

2006 será um ano de maiores investimentos em relação aos feitos em 2005, segundo 56% do empresariado paranaense. Para 34%, haverá uma manutenção e outros 10% acreditam que acontecerá uma diminuição nos valores a serem investidos. A perspectiva para médio e longo prazo (3 a 5 anos) é de aumentar os investimentos, segundo 58% dos entrevistados. “As empresas estão focando os investimentos em modernização e crescimento, nas mesmas localidades atuais e com capital próprio da empresa”, declara Pereira. Noventa por cento dos empresários que participaram do estudo afirmam que a melhor opção de investimento é no próprio negócio.

O levantamento indica que 67% das empresas tiveram acréscimo em seu faturamento em 2005, em relação a 2004, e 24% tiveram decréscimo. O lucro diminuiu para 40% delas, aumentou para 37% e se manteve nos restantes 23%. A produtividade cresceu para 51% e o endividamento se manteve estável em 59% das empresas (diminuiu para 17%). A expectativa de 84% dos empresários é incrementar o faturamento em 2006; 64% acreditam que haverá um aumento nos lucros; 67% prevêem crescimento na produtividade; e 57% acham que o endividamento ficará nos mesmos patamares. A utilização de 80% ou mais da capacidade de produção foi enfrentada por 59% das empresas em 2005. Neste ano, 72% delas esperam trabalhar neste índice, o que indica a necessidade de investimentos.

Mercado externo não é desconhecido pelas empresas

As atividades de exportações e importações são realidade para 79% das empresas paranaenses, sendo que a metade delas participa dos dois tipos de operação. Os executivos aguardam um aumento nas exportações (61% dos entrevistados) neste ano, em comparação a 2005. O comércio exterior representa até 20% do total de vendas da maioria das empresas entrevistadas (69%). Para 21%, as exportações significam entre 21% e 35% da receita. Segundo a pesquisa, quase 80% dos empresários é favorável à criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), sendo considerado o bloco econômico que trará mais benefícios ao País. Em seguida vem o Mercosul (para 26%) e a União Européia (21%).

O quadro de funcionários sofreu aumento em 2005 em 76% das empresas, seguindo uma tendência já verificada em 2004. No entanto, para 2006, a maior parte do empresariado (59%) acredita que o número de empregados será mantido em relação ao ano passado.

Os entrevistados apontam a falta de segurança (52%), a falta de infra-estrutura (48%), as dificuldades para realizar investimentos (45%) e má gestão política (36%) como os principais problemas enfrentados no Estado. As ações prioritárias do governo do Paraná deveriam incentivar investimentos que gerem mais empregos (66%) e em infra-estrutura (66%), segurança (61%) e educação (55%). São otimistas as expectativas para o desenvolvimento do Estado quanto à saúde, educação e segurança. Entretanto, os empresários são pessimistas nos incentivos às produções agrícolas e industriais e também na atração de investimentos estrangeiros. (J.C)