Notícias


Empresa familiar é o maior alvo de aquisições

Em 2005, número de fusões cresceu 40% no Brasil

Márcia De Chiara

Mais da metade das empresas adquiridas no Brasil nos últimos cinco anos são familiares, e as principais razões que levariam os donos de companhias que ainda não foram alvo de fusões e aquisições a vendê-las no futuro são questões relacionadas à sucessão familiar e à estrutura societária. Isso é o que mostra uma pesquisa qualitativa inédita realizada pela Deloitte para traçar um perfil das fusões e aquisições no País.

No ano passado, o número de fusões e aquisições cresceu 40% ante 2004. Em 2005, foram 317 negócios e, no ano anterior, 217. A tendência é que esse ritmo continue crescente, por conta da oferta abundante de recursos no mercado internacional e da relativa estabilidade do cenário macroeconômico no País, prevê o sócio da área de Corporate Finance da Deloitte, Antônio Caggiano Filho.

Para traçar o perfil das fusões e aquisições, foram consultadas no último trimestre do ano passado 204 empresas com receita anual superior a R$ 50 milhões. Deste total, 47% já participaram de processos de fusões e aquisições nos últimos cinco anos e 53%, não.

A pesquisa mostra que 56% das empresas adquiridas nos últimos cinco anos eram controladas por famílias. Caggiano Filho observa que este resultado reflete as características do universo empresarial brasileiro, marcado pela maior participação de empresas familiares.

Com relação aos objetivos da aquisição, os principais apontados pelas companhias consultadas são ampliar a participação de mercado e agregar produtos e serviços. “Isso indica a importância de consolidação de posição”, afirma o gerente de fusões da consultoria, Reinaldo Grasson. Diferentemente de décadas passadas, quando as companhias buscavam a diversificação para reduzir riscos, hoje o caminho é da consolidação para ampliar os volumes produzidos e erguer barreiras à entrada dos concorrentes. “Essa é a tendência do mercado internacional.”

Quanto às fontes de recursos para bancar as compras, a maioria (78%) que fechou algum negócio nos últimos cinco anos usou recursos próprios. Grasson destaca que, neste ponto, o mercado brasileiro difere do internacional, onde predomina a emissão de papéis para financiar as compras. O fato de as empresas aqui usarem recursos próprios para concretizar fusões e aquisições mostra também que as companhias conseguem obter uma rentabilidade que lhes garanta aplicar os recursos no próprio negócio.

Segundo as companhias, as principais dificuldades enfrentadas nas aquisições são os aspectos legais (39%), a qualidade das informações gerenciais da empresa a ser adquirida (37%) e a negociação conduzida de forma pouco profissional (36%). Apesar destes problemas, 59% têm disposição de recorrer a uma nova fusão e aquisição no futuro para revidar o acirramento da concorrência.

Já entre as empresas consultadas que não passaram por processos de fusões e aquisições, ou 53% da amostra, a estratégia preferida para combater a concorrência é o crescimento orgânico (44%). Segundo a pesquisa, esse grupo de empresas alega que o crescimento orgânico também é a melhor saída para crescer e o principal motivo para não comprar outras companhias. Também a principal fonte de financiamento do crescimento orgânico são recursos próprios.

Quanto às razões para serem vendidas, as companhias que não passaram por processos de fusões e aquisições apontam questões relacionadas à sucessão familiar e à estrutura societária (33%) e a necessidade de realizar altos investimentos para para financiar o crescimento (22%). Caggiano diz que muitas companhias resolvem dois problemas, societário e falta de recursos, com a solução da venda.