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Embratel diz não temer estatal da banda larga

estadão.com.br

Gerusa Marques, BRASÍLIA

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O presidente da Embratel, José Formoso Martínez, disse que não teme a concorrência da estatal de banda larga, que está em estudo pelo governo. "Já temos muitos concorrentes. A concorrência é boa, melhora os preços", afirmou. Segundo ele, a preocupação das empresas é que sejam criadas condições econômicas para que os serviços cheguem a todos os segmentos da população.

Ao lado de outros executivos do setor, Martínez participou ontem de reunião com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, para acompanhar o andamento da proposta de criação de um Plano Nacional de Banda Larga, entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 24 de novembro.

A proposta do ministro, que é endossada pelas empresas, prevê uma parceria público-privada, com a meta de chegar a 2014 com 90 milhões de acessos à internet em alta velocidade. O programa prevê investimentos de R$ 75,5 bilhões, sendo R$ 49 bilhões do setor privado e R$ 26,5 bilhões do governo, na forma de desoneração tributária e recursos de fundos setoriais. Segundo Martínez, uma eventual parceria do governo com as empresas de telefonia pode acelerar o processo de expansão da banda larga no Brasil.

Outra proposta em debate, porém, sugere que sejam aproveitadas as redes ópticas de estatais, como Petrobrás, Eletrobrás e Eletronet. Esta infraestrutura, que poderá ser administrada pela Telebrás, faria a transmissão de dados ”no atacado”. Para chegar ao cliente final, seria preciso construir ramificações da rede de distribuição. Embora apoie a sugestão das teles, Hélio Costa acha que a atuação da estatal no atacado também seria viável.

A proposta de maior participação estatal no projeto de massificação da banda larga vem sendo trabalhada por um grupo técnico a partir de uma sugestão do secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna.

Na última reunião, em novembro, Lula pediu estudos sobre a viabilidade econômica de a estatal da banda larga atuar não apenas "no atacado", mas também no atendimento ao cliente final. No início das discussões, o secretário chegou a estimar investimentos de R$ 3 bilhões para fazer a conexão com os clientes.

Segundo Hélio Costa, uma nova reunião para discutir o assunto com o presidente deverá acontecer no próximo dia 16. Costa reafirmou a tese de que só é possível massificar o acesso à Internet em alta velocidade se houver uma parceria com as empresas privadas. Segundo ele, R$ 3 bilhões não são suficientes. "Se estamos falando em fazer uma grande empresa de banda larga para cobrir o País inteiro e em tempo curto, tenho dúvidas", afirmou. "Um plano nacional de banda larga não é só fibra óptica.”