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Economistas descartam impacto de mudança sobre os juros

BRUNO LIMA
da Folha de S.Paulo

Economistas ouvidos pela Folha avaliam positivamente a decisão de realizar menos reuniões ordinárias do Copom em 2006. Segundo eles, a medida diminui os “holofotes” sobre o Banco Central e não deve ter impacto na velocidade de queda dos juros.

Para o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Márcio Cypriano, a extensão do prazo entre reuniões é um reflexo da maturidade do país e vai diminuir a tensão pré-Copon entre os agentes de mercado. “O governo poderá trabalhar mais com o viés”, disse ele, referindo-se à prerrogativa de alertar o mercado sobre a tendência de alta ou baixa nos juros antes da reunião.

O diretor de Normas do BC, Sérgio Darcy, vê a mudança no calendário como resultado de maior estabilidade. “Com mais tempo, a avaliação ficará mais rica e a decisão melhor embasada.”

O professor titular do Instituto de Economia da Unicamp Luciano Coutinho espera que a mudança seja a primeira de uma série. “Pelo menos [o BC] saiu do imobilismo. O sistema precisa ser aperfeiçoado.”

Para Carlos Cavalcanti, economista-chefe do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), a modificação denota maior confiança do BC na política monetária. “Isso não impede que reuniões extraordinárias sejam convocadas, se ocorrer algum choque na economia. Não é o número de reuniões que decide a velocidade com que caem os juros.”

“Isso evita a “tensão pré-Copom”, reduz os holofotes sobre o BC e tira um pouco o foco da política de juros, que contamina a economia”, diz Julio Gomes de Almeida, diretor do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial). “Quanto menos o BC aparecer, melhor.”

“A mudança é positiva porque reduz o ruído sobre a política monetária. É bastante conveniente, em um ano eleitoral, reduzir esse ruído”, aponta Octavio de Barros, diretor de pesquisa e estudos econômicos do Bradesco, que lembra que haverá eleições em 2006.

O economista-chefe para América Latina do WestLB, em NY, Ricardo Amorim, destaca que o anúncio da mudança do Copom ocorreu no mesmo dia em que o Banco Central do México decidiu reduzir de 24 para 12 a quantidade de reuniões anuais.

Para o economista, a decisão do BC brasileiro é ruim porque poderá fazer com que os juros caiam menos do que o esperado até agora. Isso porque, para chegar ao final do ano com a mesma taxa projetada pelo mercado, em torno de 15%, o BC precisaria acelerar os cortes no início do ano, quando ainda não tem certeza da performance da inflação no ano.