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ECFs terão idioma universal

Publicado em:

Vanderlei Campos

Conforme regulamentação do Confaz (que reúne as secretarias estaduais de Fazenda), os emissores de cupom fiscal terão que seguir um conjunto de normas publicadas, que padronizam a comunicação entre os equipamentos e os sistemas de automação e gestão.

"Hoje, cada máquina tem uma forma de comunicar os dados. Assim, cada desenvolvedor de software tem que adaptar seu produto a determinada marca de hardware. A padronização vai fazer com que todos falem a mesma língua, o que implica mais flexibilidade para os clientes", explica Antônio Di Gianni, atual presidente da Afrac.

"A padronização ajuda os bons fornecedores de hardware. O cliente não fica mais amarrado pela linguagem e passa a escolher o equipamento pela qualidade", avalia Claudenir Andrade, gerente para a América Latina de integração e desenvolvimento da Urmet Daruma e palestrante na Autocom. A própria Daruma tem uma rede de 1,3 mil produtores de software e integradores, que co-investem na compatibilidade entre seus produtos.

"Hoje há uma infinidade de oportunidades de novas aplicações, inclusive para explorar a facilidade de acesso aos dados da MFD (memória de fita-detalhe). As parcerias com as software houses têm uma visão mais estratégica e serão mantidas. Mas os esforços vão ser aplicados em novas funções para os negócios, não em compatibilidade técnica", diz Andrade. O engenheiro foi um dos colaboradores, junto ao Fisco, na definição do Set de Comandos Únicos (SCU), cuja conformidade passa a ser exigida nos equipamentos entregues a partir de outubro deste ano.

Big Brother fiscal – A normatização do formato dos dados armazenados nas MFDs também atende a uma demanda da fiscalização tributária. Com as impressoras matriciais, os fiscais pedem as bobinas de segunda via do cupom. Todavia, para ler as MFDs, que passam a guardar os registros do caixa, ficaria praticamente inviável ter visualizadores e extratores para todos os formatos da indústria.

Outra nova exigência feita aos fabricantes, com o mesmo prazo, é a instalação de uma segunda porta nos ECFs, para eventual conexão de um modem ligado à Receita. "Se a empresa estiver sob alguma suspeita de sonegação, será pedida a instalação de um modem, para que a fiscalização veja o movimento a qualquer hora", informa Antônio Di Gianni.

"Cada linha na legislação significa o acréscimo de dezenas de componentes. Evidentemente, o grau de exigência do Fisco pesa no custo dos equipamentos", constata Andrade. "A faixa entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil (de preço dos ECFs) se deve em grande parte aos altos padrões de segurança e robustez impostos pela regulação", esclarece.

Assim como seus concorrentes, Andrade destaca a velocidade de atendimento e a facilidade de acesso e recuperação dos dados como benefícios iniciais, que já justificam o investimento do comerciante. "O tempo de emissão de um cupom de 10 itens é de 6 segundos, contra 10 segundos em uma matricial. Em locais de grande movimento, essa diferença é bem relevante", diz o executivo.

Contudo, é na hora de recuperar uma segunda via do cupom fiscal (que pode ser pedida com retroatividade de até quatro anos) que a mudança é mais sentida. "Há muitas companhias que vendem serviços de guarda de papelada. O armazenamento é barato, mas paga-se caro quando se solicita a busca de determinado documento", observa.

Andrade salienta que as bases de dados das segundas vias digitais não deve ser pensada para atender a uma eventual fiscalização, como também como informação gerencial. "Há dois procedimentos no caixa, a leitura do código de barras e o pagamento, que são processos eletrônicos, mas (na maioria dos casos) ocorrem de forma independente. Uma aplicação simples pode confrontar os dados e conferir se o evento físico bate com o evento fiscal. Entre outras coisas, essas informações, se coordenadas, podem servir para medir e identificar a taxa de erro de funcionários de caixa", exemplifica Andrade.

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