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Dobra crédito do BNDES à micro e pequena empresa

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Portal Fenacon

Folha de S.Paulo

Estabilidade e incentivos federais explicam aumento, dizem especialistas

RENATA DE GÁSPARI VALDEJÃO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O volume de crédito às MPEs (micro e pequenas empresas) brasileiras está em ascensão. O principal sinal é o saldo dos desembolsos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a esse segmento, que dobrou de 2009 para 2010, pulando de R$ 11,6 bilhões para R$ 23,7 bilhões.
Entre as grandes, o aumento chegou a 9,17% (de R$ 112,4 bilhões para R$ 122,7 bilhões). O BNDES é o maior financiador das MPEs.
No cômputo geral do crédito do sistema financeiro, a expansão foi de 11% na faixa dos aportes de até R$ 100 mil -que representa as MPEs- nos últimos 12 meses.
O movimento indica fortalecimento dos negócios de pequeno porte, avalia Carlos Alberto dos Santos, diretor técnico do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
Para especialistas, o resultado se deve à combinação da estabilidade monetária com algumas ações do governo federal, como o cartão BNDES, que, em 2010, ampliou o limite máximo de R$ 500 mil para R$ 1 milhão por cartão (cada empresa pode ter um por banco emissor).
Segundo o chefe do departamento de operações indiretas do banco, Edson Moret, em 2010 foram concedidos mais de R$ 4 bilhões pelo cartão, e as projeções para 2011 são atingir R$ 8 bilhões.
Outra iniciativa federal, o PSI (Programa de Sustentação do Investimento), criado em 2009 para estimular produção, aquisição e exportação de bens de capital e inovação tecnológica, foi prorrogado até dezembro. Ele seria suspenso em março.
Desde março deste ano, a taxa de juros para a compra de bens ficou menor para as MPEs (6,5%), com relação às grandes empresas (8,7%).
Nem as medidas do Banco Central para frear a economia e a inflação -aumento de juros e restrição ao crédito- inquietaram o mercado.
Mesmo assim, Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa Experian, recomenda cautela às MPEs. "Elas são sensíveis a percalços econômicos."

Instituições investem em crédito para inovação

Linhas contemplam aporte para o desenvolvimento de produtos e serviços e de tecnologias em áreas como impacto ambiental e design

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Impulsionar a inovação tem sido uma das metas do governo federal, que já sinalizou neste ano a criação de quatro fundos setoriais com aporte total de R$ 1 bilhão.
Entre as iniciativas recentes está também a inclusão de financiamentos em inovação no cartão BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Foram incluídos como itens financiáveis serviços de pesquisa, desenvolvimento e inovação para produtos e processos, serviços técnicos especializados em eficiência energética e impacto ambiental e design.
Até fevereiro, o BNDES credenciou para o cartão 65 fornecedores de serviços tecnológicos. Outros 25 estão em processo de credenciamento na instituição.
"De 2010, início das operações, até agora, foram liberados R$ 4,6 milhões", diz Rodrigo Bacellar, chefe do departamento de operações pela internet do BNDES.
Segundo ele, a projeção até o final do ano é realizar mais 500 mil operações -de todos os tipos- por meio do cartão, 90% delas para micro e pequenas empresas.
Os micro e pequenos empresários contam ainda com alternativas como as agências de fomento. Uma das principais linhas da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), por exemplo, a Prime (Primeira Empresa Inovadora), liberou R$ 82,8 milhões em 2009 e em 2010.
O problema é que o processo é similar a uma licitação -pode demorar meses até a liberação da verba- e é preciso ficar de olho nos editais.
A NL Informática é uma das que receberam aporte da Finep, de R$ 500 mil, para investir em uma solução inovadora de rastreamento de produtos por radiofrequência.
A empresa elaborou um software que capta sinais da etiqueta e os transmite a um computador. Com isso, não é preciso passar o produto pelo leitor do caixa nem fazer contagem manual do estoque.

CONTRAPARTIDA
Para obter a verba, que não precisa ser reembolsada, Grasiela Tesser, gerente comercial e de marketing da NL, apresentou proposta e competiu com 40 empresas.
"Foi necessário buscar consultoria para elaborar o projeto e reunir documentação extensa. O processo todo levou cinco meses", diz.
Como contrapartida, a NL terá de investir a mesma quantia. A solução está em fase de implementação.
A Arcon também terá de fazer aporte -serão R$ 4 milhões para o desenvolvimento de uma tecnologia de segurança da informação.
Outros R$ 4 milhões serão garantidos pelo Programa de Subvenção Econômica e Inovação Tecnológica da Finep.
"Tivemos que fazer um projeto muito bem fundamentado, que exigiu muito estudo", conta Marcelo Barcellos, presidente da empresa. O processo, completa, demorou quase um ano.

Capital de giro é financiamento mais solicitado

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

As linhas de crédito mais procuradas pelos micro e pequenos empresários brasileiros são as de capital de giro.
Em levantamento feito pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), com dados do Banco Central, o saldo da modalidade corresponde a 47,9% dos recursos destinados pelos bancos de varejo ao crédito para as empresas.
"O cliente consegue ajustar o fluxo de caixa a sua capacidade de pagamento", explica Rogério Calderon, diretor de controladoria e relação com investidores do Itaú-Unibanco. Para as empresas, essa linha ajuda a manter o caixa e a folha de pagamento e a pagar as contas.