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Dívida das famílias brasileiras é maior em 3 anos

Correio Braziliense











Endividamento chegou a 64,1% no mês de julho. No mesmo período de 2018, índice era de 59,6%

A dívida das famílias brasileiras cresceu pelo 6º mês seguido e é a maior em 3 anos. O percentual de famílias com dívidas chegou a 64,1% em julho, 0,1% a mais do que o valor do mês anterior. O aumento também é observado na comparação com julho de 2018, quando o percentual estava em 59,6% do total de famílias. 

Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O número de famílias com dívidas ou contas em atraso também aumentou em julho de 2019, em comparação com o mês anterior. O percentual passou de 23,6% para 23,9%. Também houve alta na comparação com julho de 2018, quando o indicador registrou 23,7%. 

A proporção de famílias que declararam não ter condições de pagar as contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes passou de 9,5% em junho de 2019 para 9,6% em julho, apresentando alta também em relação aos 9,4% verificados em julho de 2018.

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O economista sênior da CNC Fábio Bentes afirma que o que está por trás do crescimento contínuo do endividamento é a alta dos juros para o consumidor. “Em dezembro do ano passado, os juros estavam próximos de 48% ao ano e agora estão na casa de 53%. O custo do dinheiro aumentou, tomar dinheiro emprestado ficou mais caro”, explica. 

Segundo ele, boa parte das famílias brasileiras destina grande parcela do orçamento a gastos essenciais e tem precisado de empréstimos para dar conta dos gastos. “Isso tem feito com que o orçamento das famílias fique asfixiado”. Para Bentes, o endividamento tende a melhorar no segundo semestre, principalmente por dois motivos.

O primeiro é a sinalização do Banco Central de que irá estimular a concorrência bancária. “É uma questão de política monetária. Algumas sinalizações ocorreram, inclusive, na última reunião do Copom”, explica.

O segundo motivo levantado pelo economista é o saque de FGTS e PIS: “É um fator que irá aliviar. Esse ano devem ser injetados cerca de R$ 30 bilhões na economia.” 

De acordo com ele, a tendência é que o grau de endividamento diminua no segundo semestre. “Estamos em um ritmo lento de crescimento da economia. Nos 6 primeiros meses do ano, a atividade econômica cresceu 0,8% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Estamos projetando que o segundo semestre seja melhor que o primeiro, com expectativa de 1% de crescimento”. Ele explica que o estímulo ao consumo e a percepção de esforços do governo para baixar os juros são medidas que podem ajudar: “São sinalizações que destravam a economia, mas não garantem o crescimento.” 

* Estagiária sob a supervisão de Vinicius Nader