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Dilma é eleita e define medidas

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Valor Online

Na apuração mais rápida da história do país, a candidata Dilma Rousseff (PT) foi oficialmente declarada eleita presidente do Brasil às 20h04 de ontem, 1h04 depois do fechamento da última urna. Ela obteve 56% dos votos válidos, 12 pontos percentuais a mais que o candidato José Serra (PSDB).

Dilma terá pouco tempo para comemorar a vitória. Antes mesmo da posse, em 1º de janeiro, ela precisará decidir sobre um conjunto importante de medidas que vão marcar o perfil da nova administração. Entre essas decisões estão o reajuste do salário mínimo e das aposentadorias, o pacote de incentivo ao financiamento de longo prazo e providências para impedir a apre- ciação do real – esta, a mais urgente.

Em seu primeiro pronunciamento, a presidente eleita respondeu a muitas das dúvidas levantadas pelo mercado financeiro e pelo meio empresarial durante a campanha. Comprometeu-se com a responsabilidade fiscal ao dizer que o povo brasileiro "não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável", refutou o loteamento da administração pública ao prometer zelar "pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência no serviço público" e se dispôs a respaldar a atuação autônoma das agências reguladoras, "voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados".

Dilma acenou à oposição e aos setores da sociedade que não a apoiaram – "de minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio" – e conclamou todos os partidos a se empenharem por uma reforma política para combater a corrupção.

José Serra avançou em territórios que foram dominados por Dilma no primeiro turno: ela vencera em 18 Estados e agora ganhou em 16. O tucano, que tivera vitórias em oito, superou a adversária em 11. Serra venceu nas regiões Centro-Oeste e Sul. A vitória em São Paulo por quase dois milhões de votos não compensou a vantagem de Dilma no Rio e em Minas. Ela venceu no Nordeste e na maior parte do Norte e Sudeste.

A geografia eleitoral do segundo turno mostra que, apesar da acachapante votação no Nordeste, onde obteve mais de 70% dos votos nos quatro maiores Estados (Bahia, Ceará, Pernambuco e Maranhão), Dilma teria vencido a eleição mesmo sem os votos da região.

Essa distribuição mostra que, embora a campanha tenha sido marcada pelo debate de questões morais e religiosas, o que moveu os eleitores na hora do voto foi o bolso. Segundo o Instituto Análise, a maioria escolheu Dilma por ela ser a candidata que ofereceu mais condições de dar continuidade à política de estímulo ao consumo e à geração de empregos.

Depois de uma das campanhas mais acirradas à Presidência, Dilma teve 55,7 milhões de votos, 2,7 milhões a menos do que conseguiu Lula ao ser reeleito em 2006. Aos 62 anos, ela se consagra como a primeira mulher a governar o país – em todo o mundo, apenas 7% dos chefes de Estado são mulheres.

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