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Dilma: crise mostrou que só o mercado não pode mais reinar

Fonte: Redação Terra

Roger Pereira
Direto de Curitiba

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República, afirmou neste sábado em Curitiba que foi o Estado forte que fez o Brasil sofrer menos com a crise econômica mundial de 2009. "Uma das coisas que ficaram muito claras da crise, que quase causou uma catástrofe no sistema financeiro internacional, foi que não é possível mais aquele fundamentalismo de que o Estado acabou e que agora reina tranquilamente só o mercado. A forma como governo Lula enfrentou essa crise é o melhor exemplo disso, com os bancos públicos e o BNDES resolvendo o problema da falta de crédito internacional", disse.

Segundo reportagens divulgadas pela imprensa nesta semana, o programa de governo do PT para a candidatura presidencial de Dilma deve ser mais à esquerda do que a gestão Lula. O documento que será apresentado no 4º Congresso Nacional do PT, de 18 a 20 de fevereiro, em Brasília – quando Dilma deverá ser aclamada candidata ao Palácio do Planalto – prega uma maior presença do Estado na economia.

"No passado, quando havia crise, o governo cruzava os braços. E o que acontecia, o empresário passava por enormes dificuldades, o trabalhador passava por enormes dificuldades, o País passava por enormes dificuldades. Porque o Estado ao invés de ser uma alavanca para sair da crise, ao invés de ser uma parte da solução, era uma parte do problema, porque o Estado quebrava", afirmou.

A ministra não poupou críticas aos governos anteriores em sua passagem pela capital paranaense, onde participou de reunião sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com prefeitos. A comparação entre o governo Lula e de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) já foi declarada pelo PT como uma das principais estratégias da campanha de Dilma. À noite, Dilma é convidada de honra da festa de posse do novo presidente estadual do PT, deputado Enio Verri.

Ao responder sobre o pedido dos prefeitos paranaense para a inclusão de obras de reconstrução das cidades atingidas por enchentes no PAC 2, Dilma culpou a falta de política habitacional nos governos anteriores pelo grande número de desabrigados por conta das chuvas. "As obras emergenciais serão contempladas com Medidas Provisórias. O PAC é para obras estruturais. Para a prevenção de catástrofes, estão programadas obras de drenagem e o Minha Casa, Minha Vida, porque ninguém foi morar em área de risco porque quis, e sim porque nunca houve política habitacional nesse País", disse.

Temer
Dilma não quis comentar sobre a vitória de Michel Temer na convenção do PMDB e sua possível indicação como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pela ministra. "Eu não ponho a carroça na frente dos bois. Essa questão terá de ser discutida nos partidos. Eu não posso sair discutindo sobre vice, por respeito ao PT. Só depois que o PT realizar seu congresso, tirar seu pré-candidato é que poderemos avançar um pouquinho nisso, mas nem tanto como alguns estão querendo", disse.

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