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Desemprego no sertão

Pólo têxtil emprega 75 mil pessoas
e dinamiza interior de Pernambuco

POR ADRIANA NICACIO, DE TORITAMA (PE)
Em pleno agreste pernambucano, um milagre econômico está em plena execução. Tem a forma de um parque fabril e comercial no triângulo formado pelas cidades de Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capiberibe – e seu efeito é o de derrubar a praticamente zero a taxa de desemprego na região. Ali, o Pólo de Confecções do Agreste abriga 12,1 mil micros e pequenas empresas. No ano passado, quando preencheram mais de 75 mil postos de trabalho, elas faturaram
R$ 2 bilhões. “Dos 88 arranjos produtivos locais de confecções que existem no País, o do Agreste é o maior e o que mais surpreende pelo espírito empreendedor”, afirma Elsie Marchini, do Sebrae.

A pequena Toritama, com seus 25 mil habitantes, reúne os fabricantes de jeans. De suas 2,1 mil empresas saíram no ano passado 60 milhões de peças, suficientes para abastecer 15% do mercado nacional. Rodeada por árvores secas, cactus e vegetação rasteira, a cidade investe na formação de designers, estilistas e modelistas. “Minhas peças são vendidas no Sul por dez vezes o valor que saem daqui”, diz o empresário Edson Tavares, da Atacadão dos Jeans.

Em Santa Cruz do Capiberibe, cujas empresas se dedicam a confecções em geral, a prefeitura cedeu um espaço de 72 mil metros quadrados e os empresários desembolsaram R$ 20 milhões instalar ali 6,2 mil boxes e 560 lojas. Dono da confecção Rota do Mar, o empresário Arnaldo Xavier, 39 anos, vai uma vez por ano aos EUA para ver o que é produzido em street wear e surf wear. Sua fábrica cresceu 15% no último ano.

A Caruaru, com 250 mil habitantes, chegam os jeans de Toritama, as confecções de Santa Cruz e o artesanatos de cidades vizinhas. Hoje, 6,5% da população local se emprega no setor têxtil. Ali está o maior centro de compras do Nordeste, o Pólo Comercial de Caruaru, com 64 mil metros quadrados. O público diário é de 20 mil pessoas. Na cidade, é tão fácil comprar artesanato como roupa “direto da fábrica”.