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Demanda por contabilista cresce 20%

Cynara Escobar


 
Uma enxurrada de consultas de micro e pequenas empresas tomou conta dos escritórios de contabilidade nos últimos dois meses. Apesar da elevação da carga de trabalho e dos custos provocados pela elevação das consultas, os escritórios vêm conseguindo rentabilizar com a demanda provocada pelo novo sistema, elevando o faturamento em até 20%. Só no Estado de São Paulo, que reúne cerca de 18 mil empresas, o faturamento deve chegar a R$ 3 bilhões este ano.

Com a elevação da carga de trabalho e dos custos provocados pelo crescimento das consultas, os escritórios tiveram de se adaptar nestes meses, alguns até investiram em softwares e em contratação de pessoal.

De acordo com a Receita Federal, a procura expressiva reflete o total de empresas que entraram no regime especial de tributação: superou os 3 milhões, sendo que 1,337 milhão migrou automaticamente do antigo Simples Federal e 1,678 milhão optou por fazer parte do novo regime depois de 2 de julho, quando as atuais regras entraram em vigor. Somente nos últimos sete dias, cerca de 180 mil foram incluídas no sistema. Welinton Motta, consultor tributário da Confirp Consultoria Contábil, afirma que houve aumento na demanda em 50% por conta do Supersimples. Ele ressalta que foi possível aumentar em 20% o faturamento mensal com a cobrança extra pela prestação de serviços de análise tributária, regularização e outros serviços extras gerados pela adequação das empresas.

"De 800 clientes, 40% estão no Supersimples. Todo o trabalho que tivemos foi de adequação das empresas ao Simples Nacional. Cobramos pequenas taxas para fazer o serviço de análise tributária e a regularização de empresas que tinham dívidas e não puderam migrar imediatamente, ou que careciam de alteração contratual", explica.

O contabilista comenta que foi necessário fazer adaptações, mas acredita que a tendência é de que, após o término do prazo para aderir ao novo sistema, o ritmo volte ao normal. "Tivemos de intensificar os treinamentos do nosso pessoal e aumentamos a carga horária, para fazer o estudo tributário de cada cliente e lançar os dados das empresas no site da Receita Federal. A partir do segundo mês, teremos uma idéia se será necessário contratar mais funcionários, mas certamente aumentou nossa carga de trabalho", completa.

No Skill Consulting, há 29 neste mercado, 20% dos 1 mil clientes do escritório aderiram ao imposto único. A empresa espera crescer 15% com a prospecção de novos clientes. "A inflação interna está elevada, por conta do aumento da demanda. Prefiro não repassar os custos para o cliente e aumentar a nossa carteira", revela Marco Antônio Pinto de Faria, presidente da empresa.

"Temos um crescimento vegetativo constante, de três a quatro clientes por mês e a rotatividade é muito baixa. Além disso, possuímos um portfólio de grandes empresas, como Parmalat, SAP e os distribuidores da Nestlé e da AmBev", completa.

Na Baker Tilly, que espera crescer 25% e obter um faturamento maior do que os R$ 160 mil registrados em 2006, as consultas referentes ao Supersimples subiram de 5 para 50 por dia nos meses de julho e agosto.

Dos 140 clientes, cerca de 30 se enquadraram ao imposto único. "O aumento das consultas gerou uma expectativa de fechar novos clientes, porém só cobramos os honorários no processo de abertura de contrato, não por pequenas consultorias. Este ano, conseguimos converter cerca de 9% das consultas em clientes. Mesmo quando as empresas não se enquadravam no Supersimples, convertemos em clientes com outras propostas", comenta Rubens Paim, sócio da Baker Tilly.

Com 60% dos 400 clientes no Supersimples, a NK Contabilidade espera ampliar as contratações. "Temos 40 funcionários, mas com a demanda, estimo que teremos de contratar mais três pessoas", prevê Rogério Kita, diretor da empresa.

Panorama

Os contabilistas seguem em grande número no País e, apesar da forte concorrência, o mercado não demonstra arrefecimento. Em junho deste ano, o Brasil contava com 66,120 mil escritórios, segundo o Conselho Federal de Contabilidade. "Mas as expectativas de crescimento ainda são positivas, pois aguardamos com ansiedade a abertura e formalização de novas empresas", avalia Humberto Batella, vice-presidente financeiro do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Informações e Pesquisas do Estado de São Paulo (Sescon-SP).

Segundo ele, grande parte da demanda gerada aos 18 mil escritórios do Estado de São Paulo foi voltada à orientação de empresários do que de conversão ao sistema único. "Na maioria dos casos houve um acréscimo substancial da carga tributária e muitas empresas acabaram não aderindo ao novo sistema", afirma Batella.