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Decisão sobre juros nesta semana deixa BC “entre a cruz e a espada”

G1

Inflação e crise vão influenciar reunião do Copom que começa nesta terça.

Analistas dizem que é difícil prever se BC vai manter ou reduzir a Selic.

Lígia Guimarães e Marcelo Cabral Do G1, em São Paulo

Quando os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) se sentarem à mesa a partir desta terça-feira (28) para debater os rumos da taxa de juros brasileira, a Selic, estarão “entre a cruz e a espada” diante do atual cenário econômico mundial.

 

Com os recentes cortes de juros adotados por países como EUA e Inglaterra para tentar impedir uma recessão global e estimular a economia, o Banco Central de Henrique Meirelles terá que se questionar frente a dois caminhos divergentes: baixar a taxa de juros para combater a crise ou elevar a Selic para controlar a inflação?

“Fazia tempo que a gente não tinha uma reunião tão difícil de adivinhar o que eles vão fazer”, admite o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, Fábio Kanczuk. Ele, porém, arrisca um palpite: dificilmente o Copom vai aumentar os juros.

 

Kanczuk acredita que o receio de sinalizar uma tendência excessivamente contrária aos principais bancos centrais do mundo deve prevalecer sobre o ímpeto de controlar a inflação – fortemente alardeado pelo presidente da instituição, Henrique Meirelles.

 

“Tem esse receio de fazer papel de idiota em uma situação grave. As pessoas podem pensar que o BC está biruta: o mundo acabando e ele elevando juros? (…) É importante que o BC não pareça maluco. Isso deve pesar forte”, afirma Kanczuk, da USP.

É a mesma opinião de Paulo Francine, do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos da Fiesp, para quem “aumentar a Selic agora seria entrar no campo da loucura, e reduzir seria o campo da ousadia. A prudência recomenda ficar quieto”.

 

“Na reunião de outubro, o Copom está atento a muita incerteza. A gente acha que eles ficam parados agora para ter mais informação. Em dezembro, tomam outra decisão”, concorda Marcela Prada, da consultoria Tendências.