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Crise já atinge o crédito no Brasil

Cláudia Safatle e Cristiane Lucchesi, de Brasília e São Paulo

O agravamento da crise financeira internacional já repercute nas operações de crédito no Brasil. Os bancos brasileiros tiraram o pé do acelerador, encurtaram prazos e aumentaram os spreads, uma vez que a crise promete manter as torneiras internacionais de recursos fechadas por mais tempo do que se esperava.
Se antes o país conseguia empréstimos externos por três a cinco anos, hoje eles não ultrapassam dois anos e estão, para empresas de primeira linha, pelo menos 50% mais caros.
Por isso, o Banco Cruzeiro do Sul quitou um eurobônus de US$ 30 milhões que venceu em agosto e o Itaú pagou neste mês a última parcela de US$ 18 milhões de uma securitização de US$ 140 milhões. O funding doméstico existe, mas está mais caro.
Na avaliação do governo, as primeiras reações dos mercados brasileiros foram até relativamente "tranqüilas", apesar da queda de 7,59% da bolsa de São Paulo – a maior perda desde os atentados às torres gêmeas -, seguindo a queda generalizada no mundo. O dólar subiu 1,51%, para R$ 1,8080. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que as reservas de mais de US$ 200 bilhões dão ao país solidez para enfrentar a crise nos EUA. "Em outras circunstâncias, o Brasil já estaria estaria de joelhos", afirmou.
O clima se deteriorou depois que o banco de investimento americano Lehman Brothers confirmou ontem o pedido de concordata, com dívidas superiores a US$ 600 bilhões. A Merrill Lynch foi vendida para o Bank of America por US$ 50 bilhões. O Federal Reserve costurava, na noite de ontem, um plano de ajuda para a seguradora AIG, cujas ações caíram 60,79%. A AIG tem no Brasil a quarta maior operação de seguros fora dos EUA, em parceria com o Unibanco, e US$ 700 milhões em investimentos de "private equity".