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Crescimento menor torna reformas urgentes, diz diretor do Banco Mundial

economista Vinod Thomas, diretor do Departamento de Avaliação de Operações do Banco Mundial (Bird), diz que a perspectiva de crescimento inferior a 3% para a economia brasileira neste ano – de acordo com a previsão de analistas e economistas – torna ainda mais urgente a necessidade de reformas.

“A agenda é a mesma, mas agora é muito mais urgente”, disse Thomas, em entrevista à BBC Brasil.

Ele defende ações integradas nas áreas política, econômica e social, com ações para melhorar a qualidade dos gastos sociais, manutenção da estabilidade fiscal e ações para preservar e não destruir a natureza.

Ele está lançando neste fim de semana no país o livro O Brasil visto por dentro – O desenvolvimento em uma terra de contrastes, baseado na experiência que acumulou quando foi diretor do Banco Mundial para o Brasil, entre 2001 e 2005.

As ações que ele prega são de longo prazo, mas têm que começar já para que garantam um crescimento sustentado no futuro. “O Brasil tem que aproveitar a janela de oportunidade”, afirma.

Contraste

O desempenho pior do que o esperado da economia brasileira em 2005 já levou Thomas a refazer uma das previsões do livro, escrito no início do ano.

“Eu havia dito que em 2006 havia uma forte possibilidade de, pela primeira vez em 50 anos, o crescimento ser maior do que a inflação. Agora, com essa revisão do crescimento para este ano, tem que ser muito otimista para dizer que isso vai acontecer”, disse. As previsões para 2006 variam entre 3,2% e 4%.

Thomas diz que existe um grande contraste entre o enorme potencial do Brasil e a necessidade de ações para aproveitar estas oportunidades.

Ele afirma que, entre os grandes países em desenvolvimento – como China, Índia, Indonésia e México – o Brasil é o que tem o maior potencial para promover um salto na qualidade de vida da população nos próximos 5 a 10 anos.

“Mas para fazer isso é preciso que o governo invista nas áreas econômica, política e social, de forma integrada”, diz ele.

Para melhorar o abismo na distribuição de renda no país ele prega não um aumento do volume dos gastos públicos, mas uma melhoria na qualidade dos gastos.

Progresso

Questionado sobre uma avaliação dos primeiros anos do governo Lula, ele vê um progresso maior do que o esperado na área econômica e abaixo do esperado na área social.

“O maior progresso nos últimos anos aconteceu na macroeconomia. Na área social, ainda é preciso um esforço maior na melhoria dos gastos e na área ambiental ainda há muito a fazer.”

Mas Thomas evitou entrar na discussão sobre o tamanho do superávit primário, que domina o Brasil no momento.

“O superávit é importante porque aumentou a estabilidade. De um lado o superávit pode contribuir para a redução do peso da dívida e com isso contribuir para o crescimento de longo prazo. Mas por outro lado, um superávit elevado no curto prazo tira recursos de gastos em áreas de infra-estrutura ou outras, que poderiam ajudar o crescimento no longo prazo”, diz ele.

“Equilibrar esses dois fatores é o desafio de pessoas que gerenciam essas políticas.”