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Corte no juro chega ao consumidor

Os cortes nos juros feitos pelo Banco Central (BC) desde setembro começaram a chegar aos consumidores em outubro. Com isso, o custo dos empréstimos apresentou queda de 0,4 ponto porcentual e variou dos 62,1% ao ano em setembro para 61,7% no fim do mês passado.

É possível que já tenhamos algum efeito da queda dos juros nesse dado”, disse o chefe-adjunto do Departamento Econômico (Depec) do BC, Luiz Malan. Ele acredita, no entanto, que o impacto será maior no futuro. “A tendência é que isso se intensifique mais na frente.”

Na mesma tendência, o rendimento pago pelos bancos às aplicações financeiras também caíram, chegando a 17,8%, a menor taxa desde dezembro de 2004. Essa taxa é observada com atenção pelos economistas porque costuma indicar para onde vão os juros.

Com taxas mais baixas, a procura dos consumidores por crédito avançou 2% em outubro, ante setembro. O crescimento foi puxado pelos financiamentos do cartão de crédito. De setembro para outubro, essas operações aumentaram 3,5%, passando de R$ 10,853 bilhões para R$ 11,232 bilhões.

O crédito pessoal teve, no mesmo período, uma expansão de 2% – de R$ 60,628 bilhões para R$ 61,859 bilhões. O chefe-adjunto do Depec disse que o crédito direto ao consumidor teve aumento de 1,5% nos primeiros dez dias úteis de outubro. “É possível que já exista aí alguma influência sazonal das festas de fim de ano”, comentou.

Luiz Malan destacou, ao mesmo tempo, o aumento do prazo médio dos empréstimos bancários aos consumidores em outubro. “Com prazos maiores, as prestações passam a caber com mais facilidade no orçamento.” Para Malan, os consumidores tendem a dar prioridade ao orçamento. “Isso, para muita gente, é mais importante que a taxa de juros”, afirmou. No mês passado, o prazo médio dessas operações aumentou de 308 para 310 dias.

No ano, o BC já identificou uma elevação acumulada de 14 dias no prazo médio das operações de crédito bancário dos consumidores.