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Corrupção deixa empresários apreensivos

PricewaterhouseCoopers aponta as maiores preocupações dos dirigentes empresariais

Cley Scholz

Pesquisa global feita pela empresa de consultoria PricewaterhouseCoopers com 1,5 mil dirigentes de grandes empresas revelou que, no Brasil, uma das principais preocupações para quem precisa tomar decisões e planejar o destino de grandes corporações empresariais é a corrupção.

Os entrevistados comandam empresas com faturamento de US$ 100 milhões a US$ 10 bilhões por ano. Os 79 líderes empresariais brasileiros incluídos na pesquisa citaram, além do problema da corrupção, a ineficiência dos serviços públicos, o desequilíbrio fiscal, a pobreza e outros aspectos problemáticos da economia brasileira. Os nomes são reunidos para a pesquisa a partir da lista do fórum de Davos, na Suíça.

O presidente da PricewaterhouseCoopers – Brasil, Fernando Alves, diz que a opinião dos empresários brasileiros na pesquisa deste ano foi influenciada pelas investigações de corrupção no governo, mas ele observa que não se trata apenas disso: “Mais do que reflexo do noticiário, trata-se de uma demanda por mais transparência na política e nas relações institucionais do País”.

LADO POSITIVO
O presidente da consultoria diz que a nona edição da Pesquisa Líderes Empresariais mostrou um aspecto positivo, que foi a afirmação do Brasil como a primeira opção de investimento na América do Sul e a terceira no universo global. O País perde para a China (55% das preferências) e Índia (36%). A porcentagem de interesse pelo Brasil (33%) supera a da Rússia (27%).

“É praticamente impossível que o Brasil venha a superar os dois primeiros colocados em mercado interno, pelo tamanho das populações”, comenta Alves. “A alternativa que temos, e os líderes empresariais sabem disso, é buscar vantagens competitivas, como a de superar os problemas de corrupção e transformar o Brasil em uma economia mais transparente e ética”.

Outra vantagem que o País deveria buscar, na opinião dos empresários entrevistados, é o investimento em educação, especialmente no ensino profissionalizante, como faz a Índia.

Fernando Alves cita o câmbio como um exemplo de falta de previsibilidade da economia brasileira. “Estava bom recentemente, agora ficou ruim”. Um aspecto positivo da pesquisa, diz ele, é o fato de que o empresário brasileiro hoje vê a globalização como uma oportunidade, e não apenas um risco”.