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Como as empresas brasileiras estão agindo e não apenas com dinheiro para minimizar a tragédia

Isto é Dinheiro

Na quinta-feira 14, dois dias depois do terremoto, telefones do governo em Brasília começaram a tocar. No outro lado da linha, empresas brasileiras e multinacionais ofereciam – além das doações em dinheiro e mantimentos – serviços e mão de obra para auxiliar nos primeiros passos da reconstrução do Haiti.

Dois dias depois, a primeira leva destes voluntários, formada por dez engenheiros e técnicos da Telefonica, partia a bordo de um avião do Exército rumo a Porto Príncipe com a tarefa de restabelecer a comunicação no país. "A melhor maneira que temos de cooperar é oferecermos profissionais", disse à DINHEIRO o diretor da Telefonica, Fernando Freitas

Responsável pelo sistema de comunicações do Exército brasileiro no Haiti, a Embratel destacou uma equipe de quatro técnicos e 400 quilos em equipamentos – entre antenas, rádios e maleta s de celulares via satélite – usados no reparo dos estragos causados pelo terremoto. Depois de desembarcar no domingo 17, o grupo levou oito horas para retomar os serviços utilizados pelos militares, como o de internet. "É a forma que os soldados têm para manterem contato com suas famílias", explica Maria Teresa Lima, diretora-executiva da empresa.

Construtoras que já atuam na região também ofereceram auxílio na reconstrução do Haiti. Maior empreiteira em atividade na vizinha República Dominicana, a Odebrecht despachou dez escavadeiras e maquinistas para trabalhar na remoção de escombros, na busca de corpos e na desobstrução de vias. A OAS, contratada para construir uma rodovia no Haiti, colocou maquinário e mão de obra à disposição para auxiliar na ajuda humanitária. Um grupo de quatro hospitais de São Paulo – Sírio Libanês, Oswaldo Cruz, Hospital do Coração e Samaritano – também uniu esforços e montou uma equipe de médicos, enfermeiros e outros especialistas capazes de atender duas mil vítimas do terremoto ao longo de dez dias. Com eles, devem viajar 40 toneladas em equipamentos e medicamentos necessários para prestar socorros ao pacientes com traumas.

PHOTO /Logan ABASS

"Nos unimos porque há demandas de várias áreas e, assim, podemos evitar a sobreposição de recursos", afirma José Henrique do Prado Fay, superintendente do Oswaldo Cruz.

As campanhas de auxílio incluem ainda o envio de água, alimentos e medicamentos. A AmBev, dona de uma unidade na República Dominicana, reservou parte de sua linha de produção para engarrafar água. Ao todo, foram enviados 420 mil litros para o Haiti em caminhões. O Pão de Açúcar doou US$ 1 milhão para a recuperação do país e espera arrecadar outros US$ 500 mil, até 14 de fevereiro, destinando R$ 1 de cada R$ 20 gastos em produtos das cinco marcas próprias vendidas em 600 lojas. Entre os donativos enviados pela Nestlé estão US$ 1 milhão em água e US$ 150 mil em alimentos para Porto Príncipe e outras cidades afetadas pelo terremoto. A ajuda inclui, ainda, US$ 100 mil em dinheiro. E prova que a solidariedade é hoje uma das marcas do mundo corporativo.