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Comércio Justo internacional cresce mais de 20% ao ano

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Concentração de produtos no varejo, consumo consciente e apoio de marcas tradicionais direcionam práticas do movimento internacional

Tatiana Alarcon

Brasília – O sistema do Comércio Justo cresce em torno de 20% ao ano no mundo. Em 2005, chegou a um faturamento estimado no varejo em torno de 1,142 bilhão de euros, o que representa mais de R$ 2,9 bilhões. Nesse mesmo ano, o Comércio Justo certificado beneficiou aproximadamente um milhão de agricultores e trabalhadores em mais de 50 países.

Os dados são de um estudo inédito sobre o Comércio Justo e Solidário que o Sebrae acaba de divulgar. O trabalho, realizado pela consultoria Schneider & Associados e encomendada pela Unidade de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional, traz informações sobre as entidades envolvidas e as principais iniciativas praticadas no Brasil, na América Latina e no mundo.

De acordo com a pesquisa, a concentração de produtos no varejo convencional, a conscientização da sociedade sobre a importância do tema e o lançamento de produtos com selo de Comércio Justo por marcas tradicionais irão direcionar as práticas do movimento no cenário internacional.

"Para que o movimento seja reconhecido como uma alternativa viável, será preciso aumentar ainda mais a consciência dos consumidores, transformando a prática do consumo do Comércio Justo em estilo de vida, além de integração e articulação de governos e entidades públicas", disse a coordenadora do Comércio Justo pelo Sebrae, Louise Machado.

Segundo o levantamento, os principais mercados do Comércio Justo hoje são os Estados Unidos, o Reino Unido, a Suíça, a França e a Alemanha. Em termos de faturamento estimado de produtos certificados em valores de varejo, as taxas foram de 344 milhões de euros (quase R$ 900 milhões) nos EUA, quase 206 milhões de euros (mais de R$ 530 milhões) no Reino Unido, 143 milhões de euros (cerca de R$ 368 milhões) na Suíça e pouco mais de 109 milhões de euros (R$ 281 milhões) na França.

Além dos produtores, os atores mais importantes do segmento são os importadores, os empresários licenciados, que recebem uma autorização para usar o selo de Comércio Justo em seus produtos, e as lojas especializadas, chamadas world shops.

O levantamento também indica uma lista dos principais produtos comercializados no mundo que levam o selo de certificação da entidade internacional FLO (Fair Trade Labelling Organization International). No primeiro lugar do ranking dos produtos estão as bananas, que representam 62,2% do Comércio Justo.

Com 26,9% está o café que, segundo o consultor responsável pelo estudo, Johann Schneider, tem grande potencial para liderar a lista de preferências. "O aumento significativo de compra de café de Comércio Justo pelos EUA nos últimos anos fortalece a posição do produto como porta-estandarte internacional", afirma. Na seqüência da lista, aparecem o cacau e os sucos de frutas, com 2,7% e 2,4%, respectivamente.

Segmentos como algodão, flores e plantas e confecção também são apontados como potenciais no mercado alternativo. Além desses, existem outros que são comercializados por critérios próprios de certificação, até que as normas sejam incorporadas pela entidade internacional FLO. Entre eles, estão instrumentos musicais, brinquedos e confecções. Do Brasil, por exemplo, destacam-se os produtos derivados da soja orgânica, tais como óleo e leite, exportados para a Suíça, ou guaraná em pó e em xarope, para a Itália.

Moda ética

A geração de emprego e renda e a inclusão social por meio da cadeia têxtil e de confecção também se destaca como um dos principais temas na pauta de ações do Comércio Justo no mundo. A iniciativa de maior visibilidade neste setor é o Ethical Fashion Show, organizado na França, que, este ano, teve sua 4ª edição.

Em junho de 2006, o assunto chamou a atenção dos brasileiros, quando a moda das favelas cariocas brilhou nas passarelas do Fashion Rio, no Rio de Janeiro. A iniciativa do Sebrae reuniu casos de sucesso decorrentes da integração de grandes designers do universo da moda com grupos, cooperativas e empresas em todo o País.

Outro país que avança fortemente neste mercado é o Reino Unido. Lá são desenvolvidos critérios para a certificação de algodão de Comércio Justo, que fizeram do país o primeiro a lançar marcas de vestuário certificadas. Junto com a confecção, cresce todo o mercado ligado à moda, como calçados, joalheria, bijuteria e acessórios.

O Comércio Justo e Solidário é uma relação comercial que baseia a negociação em princípios como o respeito ao meio ambiente, a igualdade entre homens e mulheres, promoção de direitos da criança, ética, gestão democrática, transparência na relação comercial e preço justo.

A pesquisa pode ser lida na íntegra no site do Sebrae pela Biblioteca On-line.

Serviço:
Agência Sebrae de Notícias – (61) 3348-7494 e 2107-9359
A Agência Sebrae de Notícias está de recesso no período de 26/12/2007 a 06/01/2008.