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Com real forte, 895 empresas deixaram de exportar em 2005

O real apreciado frente ao dólar acarretou perda de rentabilidade entre as empresas exportadoras, levando centenas delas a se retirar do mercado.

São Paulo – Levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 895 empresas deixaram de exportar entre novembro de 2004 e novembro de 2005 por conta do câmbio desfavorável às vendas externas. Marcelo Azevedo, economista da entidade, explica que o real apreciado frente ao dólar acarretou perda de rentabilidade entre as empresas exportadoras, levando centenas delas a se retirar do mercado. Os dados constam do Boletim Comércio Exterior em Perspectiva.

A situação deve piorar no futuro próximo, de acordo com o documento, apesar dos bons resultados da balança comercial em 2005, já que a perda da rentabilidade com as exportações desestimula muitas empresas, sobretudo as de menor porte, a investir no mercado externo.

Um dos grandes problemas de sair do mercado externo é retornar a ele no futuro, caso o câmbio venha a se tornar mais competitivo. Isso porque, como a concorrência entre empresas pelo mercado global é acirrada, quem deixa de exportar perde o cliente. Para retomá-lo no futuro, a empresa se vê forçada a repetir todos os investimentos já feitos em divulgação e em centros de distribuição para conquistar clientes. Muitas vezes, o empresário simplesmente perde o estímulo para fazer esse novo investimento.

Perspectivas
A CNI projeta crescimento de 10% nas exportações brasileiras em 2006, para US$ 130 bilhões. A estimativa é inferior à do governo, de alta de 12% para US$ 132 bilhões. A entidade acredita que, mesmo no caso de não haver uma recuperação expressiva da demanda interna por conta da cautela do Banco Central no corte de juros, as importações continuarão a crescer, devendo atingir US$ 86,5 bilhões (em 2005 foram US$ 73,5 bilhões).

Assim, o superávit comercial estimado para 2006 será de US$ 43,5 bilhões, pouco inferior aos US$ 44,8 bilhões registrados em 2005. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior costuma divulgar as projeções para importações e superávit na metade do ano.

Paula Puliti