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Classe média: escrava do governo

Laura Ignacio

Passado o dia da alforria dos impostos – 25 de maio -, a escravidão do contribuinte brasileiro da classe média ainda não terminou. Serviços essenciais, como escola particular, plano de saúde e previdência privada, custam às famílias brasileiras, com renda mensal entre R$ 3 mil e R$ 10 mil, em média, 113 dias de trabalho durante o ano. Isso significa que essas famílias terão de trabalhar até 26 de setembro para pagar por serviços que, em tese, deveriam ser oferecidos, com qualidade, pelo governo. Os dados são do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

“É um absurdo o que acontece porque somos o quarto País em arrecadação de tributos e nossa prestação de serviço é tão precária que obriga o cidadão a ter um plano de saúde”, criticou o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Jorge Carlos Machado Curi. “O Canadá, por exemplo, cobra também altos impostos, mas é uma referência na área da saúde. O Brasil, hoje, aplica menos de 4% do PIB no setor”, lembrou.

O levantamento do IBPT concluiu que o trabalhador dentro dessa faixa de renda trabalha 40 dias do ano para pagar por serviços de saúde, o que corresponde a 10,87% da sua renda bruta; 48 dias por educação (13,22% da renda bruta); 16 dias por segurança (4,31%); oito dias por previdência (2,06%) e dois dias por pedágios (0,49%). Somando tudo, 30,95% da renda, neste ano, ficará comprometida com esses gastos.

As famílias com renda mensal acima de R$ 10 mil também terão de trabalhar até 26 de setembro para pagar por serviços mal prestados pelo governo. Neste caso, porém, é preciso 116 dias de trabalho, o que corresponde a 31,67% da renda bruta familiar anual. Segundo o estudo, 33 dias do ano são trabalhados para pagar por serviços de saúde (9,02% da renda bruta); 37 dias por educação (10,16%), 27 dias por segurança (7,28%), 16 dias por previdência (4,49%) e 3 dias por pedágios (0,72%).

Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Guilherme Afif Domingos, ter de trabalhar mais 124 dias para pagar por serviços que deveriam ser prestados pelo governo, depois de já ter trabalhado por 145 dias para pagar impostos, deixam claro que o povo brasileiro é bitributado.

Afif criticou ainda o constante aumento de dias de trabalho necessários para o pagamento de tributos. Se neste ano foram necessários 145 dias para dar conta da tributação, em 1997 foram necessários 100 dias. “Todo ganho de produtividade que o cidadão e as empresas tiveram foi confiscados pelo governo com o aumento de dias de trabalho em que a renda foi transferida para o Estado”, criticou. “O governo não fez a lição de casa com o fim da inflação e confiscou o excedente”, concluiu.

Na última sexta-feira, na comemoração pelo Dia da Liberdade de Impostos – 25 de maio – em Lajeado, no interior do Rio Grande do Sul, cerca de 2 mil pessoas foram beneficiadas com a compra de produtos sem impostos, de acordo com a Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil).