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Celular vira cartão de crédito e já paga conta

Bancos e operadores criam serviços que tornam aparelho mais versátil

Nilson Brandão Junior

Depois de virar equipamento multimídia, o aparelho celular é usado agora também como terminal bancário, cartão de crédito e até bilhete de cinema. O surgimento de novas aplicações demonstra que o uso do aparelho não tem limites. Estima-se que até 2010 cerca de 10% das 50 bilhões de transações bancárias previstas para esse ano serão efetivadas por meio de celulares. Bancos e operadoras de telefonia desenvolveram e estão tirando do papel novos produtos e serviços.

Os números ainda são modestos se comparados à projeção feita pela MGSystems, empresa que presta consultoria à Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), para daqui a três anos. O diretor da consultoria, Maurício Ghetler, estima que até lá as transações via celular deverão ficar em torno de 100 milhões. “Isso não cresce de forma linear, vai avançar de maneira exponencial ”, diz ele, para quem não há, de fato, limites para o uso do aparelho.

Apenas o Banco do Brasil (BB), que está avançado no assunto, projeta encerrar este ano com 35 milhões de transações. O banco tem 400 mil clientes usando serviços via celular e faz em média 2 milhões de transações ao mês, patamar que crescerá até o fim do ano. Inicialmente, era possível fazer consultas e transferências. O próximo passo é oferecer pagamento por meio do celular, que, simplificadamente, vai substituir o cartão de crédito.

O serviço vai ser lançado pelo banco no mês que vem. No lugar de passar o cartão nas maquininhas, chamadas POS, o lojista vai digitar o número do celular e registrar o valor da compra. Essa informação segue para uma central que envia uma mensagem ao celular do cliente. Então, ele confirma a compra, digitando uma senha no telefone. Uma pessoa pode, por exemplo, encomendar uma pizza em casa e pagar com o celular, como cartão de crédito.

A primeira onda de uso do aparelho para operações bancárias foi o chamado mobile banking. Os bancos ofereceram a possibilidade de acesso a saldos, extratos e, em alguns casos, transferências entre contas pelo aparelho. O foco, agora, se concentra na oferta do que os especialistas chamam de mobile payment, o pagamento de compras com o telefone celular.

O Grupo Oi também investiu no filão. Além de parcerias com os bancos, a operadora vem colocando progressivamente no mercado o serviço Oi Paggo. O sistema cadastra estabelecimentos comerciais para processar compras, com uma diferença: a operação se processa entre dois celulares, não se utiliza a máquina POS. O estabelecimento manda uma mensagem para o aparelho do cliente, que confirma a compra.

Uma administradora independente, a Paggo processa a operação e envia uma fatura para a casa do cliente – que nada tem a ver com a conta telefônica. O executivo da área de Pagamento por Celular da Oi, Leonardo Caetano, defende que o produto permitirá o uso do sistema por estabelecimentos que não podem pagar o aluguel de POS e a cobrança das administradoras de cartão de crédito. Isso representaria, segundo ele, uma vantagem para pequenos estabelecimentos, trabalhadores informais e autônomos.

Esse é o caso do motorista de táxi Washington Rodrigues Lima. Para ele, o serviço facilita o trabalho e retira a incerteza do recebimento de outras formas de pagamento, como o cheque. “É um dinheiro eletrônico, não é como cheque, por exemplo. Você não tem dúvida do recebimento”, afirma.

ATÉ NO CINEMA

A Claro já tem um projeto em parceria com a Bradesco e a Visanet, com pagamento de taxa, com o celular substituindo a máquina de cartão de crédito. A operadora também desenvolveu um sistema que permite que o celular funcione como bilhete de cinema. O consumidor faz a compra pelo site e recebe, no visor do aparelho, uma imagem similar a um código de barras, que vai ser lido na entrada do cinema. Marco Quatorze, diretor de Serviços de Valor Agregado da Claro, conta que em algumas cidades, como Paris, o aparelho também é usado como bilhete no metrô.

A perspectiva de pagamentos via celular cresce, mas ainda não é generalizada, diz o diretor de Tecnologia da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Carlos Eduardo Corrêa da Fonseca. Uma das questões que precisam ser enfrentadas é a padronização de procedimentos. O assunto foi discutido na semana passada na entidade. “O objetivo é buscar uma padronização e chegar a um acordo para facilitar e disseminar mais rapidamente o serviço”, diz o consultor da MGSystems.