Notícias


Cartão de débito conquista brasileiros

Altamiro Silva Júnior De São Paulo

Os brasileiros nunca usaram tanto os cartões, principalmente o de débito, para fazer compras. Entre operações de crédito e débito, a Visanet (responsável pelas transações da Visa e VisaEletron) fechou 2005 com volume de vendas de R$ 92,2 bilhões, 27,5% acima dos resultados do ano anterior. Na Redecard (que cuida dos cartões com as bandeiras MasterCard, Diners, Maestro e RedeShop) o crescimento das operações foi ainda maior: 31,3%, para R$ 66,9 bilhões.

Nas duas empresas, o grande destaque foi o cartão de débito. Na Redecard, as transações com esse plástico movimentaram R$ 19,6 bilhões, uma alta de 41% em relação a 2004. Na Visanet, o volume foi de R$ 32,2 bilhões, com crescimento de 34%.

“O cartão de débito tem garantido a substituição do dinheiro ou do cheque pelo pagamento eletrônico”, diz Anastácio Ramos, presidente da Redecard. Apesar do crescimento na casa dos dois dígitos há alguns anos, o executivo está otimista e acha que o setor ainda tem fôlego para manter o ritmo, principalmente indo em direção às classes de renda mais baixa.

A Visanet e a Redecard são as empresas responsáveis por afiliar bares, lojas e restaurantes para receber as máquinas leitoras dos cartões (chamados de POS). As duas credenciaram, cada uma, cerca de 200 mil estabelecimentos no ano passado. Na Redecard, que completa 10 anos em 2006, a meta é chegar a 1 milhão de estabelecimentos este ano e a 100% do território nacional.

A Visanet, criada em 1995, já cobre 78% do país e tem perto de 930 mil estabelecimento credenciados. Uma das estratégias da empresa é tornar o POS um correspondente bancário e permitir o pagamento de contas pela maquininha. “A idéia é oferecer novos usos ao POS, para ficar mais atrativo ao lojista”, diz Antonio Luiz Rios, presidente da Visanet.

Sobre o compartilhamento dos POS por todas as bandeiras de cartão, proposto no ano passado pelo Banco Central, as duas empresas têm opiniões diferentes. Ramos, da Redecard, acha que trará redução de custos e será boa para clientes e bancos emissores dos plásticos. “Boa parte dos bancos hoje já emitem as duas bandeiras, por que não usar a mesma máquina para passar as diferentes bandeiras”, pergunta.

Rios, da Visanet, diz que o compartilhamento já é feito nas grandes redes varejistas e supermercados, nos chamados PDVs, que aceitam todos os cartões. Calcula-se que mais de 40% das transações com plásticos sejam compartilhadas. Para o restante do mercado, ele não vê grande vantagens, pois a Visanet tem uma rede maior que a concorrência – ou seja, teria muito mais a oferecer do que a receber.

Enquanto o compartilhamento não vem, as duas empresas se esforçam para levar as leitoras dos cartões aos mais inusitados lugares. Na Redecard, até os caminhões que entregam gás em domicílios ganharam os POS, que operam por celular. A empresa também credenciou feirantes e guinchos. Pelas leitoras, é possível até fazer consulta ao Serasa.

A Visanet criou um POS “light”, com menos funções, que tem aluguel mensal de R$ 39, contra R$ 84 da máquina tradicional. O produto foi desenvolvido para feiras e pequenas lojas.