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Câmbio pode barrar criação de empregos

Mantida a tendência atual de valorização do real, mais de 2 milhões de empregos deixarão de ser criados nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil no período de quatro a cinco anos. Essa é uma das principais conclusões de um estudo apresentado ontem pelo economista Paulo Rabello de Castro, sócio-diretor da RC Consultores e presidente do Conselho de Planejamento Estratégico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), durante reunião na entidade.

Segundo ele, a continuidade da atual política de cortes na taxa básica de juros, de 0,25 ponto porcentual por reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), combinada com a manutenção das reservas acima de US$ 120 bilhões e do risco-País em 160 pontos, fará o dólar cair para R$ 1,90 já no terceiro trimestre. "A valorização do real aumenta o poder de compra do País, mas torna o salário pago ao trabalhador brasileiro menos competitivo, induzindo o setor produtivo a criar menos empregos".
Para o economista, o forte aumento das exportações não é o único responsável pela valorização do câmbio. Ela sofre também influência dos juros, do sistema tributário, dos gastos do governo, do sistema de metas de inflação e da forma como esse sistema é aplicado."Se o governo diz que nada pode fazer a respeito do câmbio, isso é absolutamente falso", diz ele.
Segundo o economista, seria possível "reeducar" o regime cambial brasileiro de modo que o princípio da flutuação livre não seja submetido às influências desequilibradoras da ação do governo. "Essa correção pode ser feita por meio das variáveis que influem e determinam a taxa de câmbio, especialmente os juros e os gastos do governo e, por conseqüência, o ritmo de produção interna".