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Brasileiros fecham seus negócios nos EUA

Folha.com

VERENA FORNETTI
ENVIADA ESPECIAL A NEWARK

Em uma rua americana onde se discute em alto e bom som -e em português- o resultado da última partida do Vasco e o dissabor de perder no jogo do bicho, negócios de comerciantes brasileiros fecham as portas por causa da crise e da perda dos clientes, muitos deles imigrantes que voltaram para casa.

Nos arredores da Ferry, endereço que concentra lojas de brasileiros e portugueses em Newark (Nova Jersey), salões de cabeleireiro de imigrantes abaixaram as portas, assim como restaurantes por quilo, churrascarias e mercadinhos.

Brazuca, Brazilian Grill, Tropical Music e Central do Brasil são alguns dos lugares que não existem mais.

Newark é conhecida pela numerosa comunidade oriunda do Brasil. No Estado de Nova Jersey, segundo estimativa do escritório do Censo dos Estados Unidos, a população de brasileiros diminuiu 16% entre 2009 e 2010 (dado mais recente disponível). No período, a comunidade brasileira passou de 36.108 para 30.489 pessoas.

O instituto oficial de estatística também aponta que 18% dos brasileiros ocupados em Nova Jersey trabalham por conta própria. Newark tem 26% de estrangeiros e quase metade da população fala outra língua que não o inglês em casa.

"De quatro anos para cá o movimento despencou", diz o atendente Januário, 30, da Padaria Brasileira, que recentemente teve seu espaço reduzido para se adequar à crise e a perda de clientes.

"Muita gente está voltando. Não somente brasileiros, mas também outros imigrantes. E a dificuldade não é apenas para o comércio. Está difícil alugar porque as pessoas estão procurando coisas mais baratas", diz ele.

Diogo Shiraiwa/Editoria de Arte/Folhapress

"Todo dia entra alguma cliente aqui dizendo que vai embora para o Brasil", diz Carlos Cesar, 42, sócio de um salão de beleza em Newark. Segundo ele, 60% dos seus clientes são brasileiros e 40% são americanos, portugueses ou hispânicos. Cesar conta que seis pequenos concorrentes encerraram atividade recentemente.

"Atendia de 10 a 20 pessoas por dia até uns dois anos atrás. Agora se atendo duas é muito", diz a cabeleireira Juliana Silva, 27, que trabalha em outro salão da cidade. O lugar ocupa cinco mulheres, todas brasileiras.

"Ninguém está querendo gastar dinheiro. A economia está ruim", diz a brasileira Lara Chavarria, sócia de uma loja que vende cigarros e outros itens na rua Ferry.