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Brasileiro está mais motivado a criar a própria empresa

O povo brasileiro é motivado a empreender. Uma prova disso é o crescimento no número de empresas iniciadas em 2007 em relação a 2006, passando de 11,6% para 12,72% no ano passado, o equivalente a 15 milhões de novos negócios. Os dados fazem parte da pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), que mede as taxas de empreendedorismo no mundo.
 
O Brasil aparece em nono lugar entre os 42 países analisados. O objetivo do estudo, segundo a coordenadora do Projeto GEM Simara Greco é avaliar a dinâmica da atividade nas nações, sua relação com desenvolvimento econômico e condições oferecidas para o empreendedorismo através de políticas governamentais. A proporção de brasileiros que começaram novos negócios em 2007 foi 12,72%.

Simara diz que as condições para montar uma empresa no Brasil estão mais favoráveis, ligadas à motivação. “Existe muita oportunidade para abrir novos negócios. Por outro lado, a falta de políticas governamentais, elevados impostos, burocracia e custos para constituir uma empresa são limitantes”, reconhece.
Para se aventurar no meio dos que não se submetem a patrões, algumas características são importantes. Nem todos têm o perfil de empreendedor. A gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Soluções do Sebrae-RS Naira Libermann diz que é preciso visão empresarial e mercadológica. “O mundo dos pequenos negócios exige que o empreendedor esteja preparado para acompanhar e interpretar as informações diárias ao seu redor e que se disponha a manter-se atualizado e em permanente processo de aprendizado e evolução, sem os quais não é possível sobreviver e muito menos, alcançar o sucesso.” É preciso estar atento para as mudanças e tendências do mercado, legislação, tecnologia, fornecedores, produtos e serviços ofertados pela concorrência, gostos e hábitos dos consumidores/clientes, qualidade do atendimento, qualidade das matérias-primas e dos produtos, estratégias de marketing.
Outra dica dada por Naira é inovar. “Procure destacar-se de concorrência com a adoção de práticas diferenciadas que atraiam a clientela dando competitividade”, aconselha. Pois produzir algo novo e diferenciado foi justamente o que fez a universitária Márcia Orsi, de 24 anos. Há quatro anos, a jovem começou a confeccionar artesanalmente bolsas e mochilas a partir de discos de vinil, os antigos LPs. Da produção para uso próprio aos pedidos de amigas, Márcia passou a comercializar as mercadorias não só no Rio Grande do Sul e outros estados mas também no exterior, com encomendas para os Estados Unidos e México.
As bolsas são vendidas por meio do seu blog (http://www.meninavinil.blogger.com.br) ou para algumas lojas. Com o auxílio de sua mãe, Rosália, na confecção dos produtos, faz as peças em um pequeno quarto da casa em Campo Bom. Uma bolsa leva em média 4 horas para ser finalizada, entre costura, colagens e arremates. A atividade é desempenhada juntamente aos estudos de Publicidade. “A intenção é seguir com a produção mesmo depois de formada”, conta a empreendedora.
A artesã-empreendedora já registrou a patente do design da bolsa e quer encaminhar o registro da marca. Ciente de que seu público-consumidor acompanha as novidades via internet, Márcia está envolvida na construção do seu site, que servirá como loja virtual.

Planejamento é fundamental na montagem de novo negócio

Constituir uma nova empresa ou empreendimento sem previamente elaborar um planejamento é o caminho mais rápido para o insucesso.
 Segundo o contador e sócio-diretor da Anályse Assessoria Contábil Celso Luft, os negócios implantados sem um estudo anterior levam ao encerramento no período de seis meses a um ano. “A primeira dica que dou aos clientes que me procuram com a intenção de abrir uma empresa é conhecer o ramo ou área em que pretendem atuar”, destaca.
A opinião é compartilhada pela contadora Magdalena Dapper. Conforme ela, deve ser feita a coleta de dados sobre o segmento onde se pretende investir, avaliar se há consumidores para o produto pretendido e espaço no mercado. “Se o empreendedor não possui um projeto, recursos nem pesquisa de mercado, terá sérias dificuldades em sobreviver”, afirma.
Após feito o planejamento, é aconselhável visitar colegas de segmento e até possíveis concorrentes. Os serviços de contabilidade devem ser contratados assim que houver a decisão sobre o empreendimento a ser montado, para dar início aos procedimentos de constituição da empresa. Questões como alvará, sistema de tributação e outras obrigações a serem cumpridas não podem ser esquecidas.
“É importante analisar as vantagens de optar por determinado regime de tributação – Super Simples, Lucro Real ou Presumido. Mesmo querendo optar pelo Super Simples, por exemplo, pode ser que o ramo de atividade não seja permitido”, explica Luft. A contadora Magdalena lembra que, embora a nova legislação tenha vantagens, a constituição de empresas segue com algumas dificuldades.
Outra questão reforçada pelos profissionais é a necessidade de capital de giro. Sem ele, é inviável sobreviver a imprevistos. Muitos empreendedores são remanescentes de atividades onde anteriormente eram funcionários.
 Após serem demitidos, optam por investir em um negócio próprio, aplicando o dinheiro que receberam da rescisão de contrato. “Quem não tem experiência, como acontece em muitas situações assim, precisa se cercar de pessoas com qualificação técnica no ramo para receber o auxílio adequado. O proprietário ficará cuidando da parte financeira mas precisa contar com um gerente que saiba com o que está lidando”, aconselha Luft.
Com 17 anos atuando em escritório, o contador diz que vê cada vez mais novos empreendedores surgindo, a maioria na faixa dos 35 a 40 anos. “Quem se organiza e se prepara tem sucesso”, ressalta.

Descontinuidade torna-se uma característica marcante no Brasil

Uma das características do empreendedor brasileiro é começar várias vezes um negócio. Entre os entrevistados no estudo Global Entrepreneurship Monitor GEM, 23% já estiveram envolvidos em algum outro empreendimento. Segundo Simara Greco, coordenadora do Projeto GEM, o brasileiro é considerado um empreendedor em série pela questão da descontinuidade. O fato de um negócio ter sido descontinuado não significa fracasso da empresa.
No Brasil, em 31% dos casos que o empreendedor afirma que deixou de atuar em um empreendimento, o mesmo continua em operação ainda após a sua saída. Nos demais casos, o negócio é efetivamente encerrado. A pesquisa questionou os empresários sobre a principal razão que os teria levado a deixar de exercer a atividade empreendedora, independentemente de o negócio ter continuado ou não. Dentre as alternativas apresentadas, dois terços dos empreendedores indicaram como principais motivos as situações relacionadas a problemas econômicos do empreendimento.
A pesquisa GEM 2007 buscou também conhecer o comportamento empreendedor pregresso dos entrevistados. É possível constatar que 31% da população adulta brasileira possui no seu histórico algum envolvimento em atividade empreendedora, seja no momento atual, como empreendedor em estágio inicial (em fase de implantação do negócio), ou estabelecido (já o mantém por até 42 meses).
 
Independentemente do estágio ou motivação (oportunidade e necessidade), a maioria dos empreendedores (58%) afirmou não ter tido orientação para a abertura do negócio. Contudo, é relevante frisar que os empreendedores por oportunidade (8 milhões), demonstram mais interesse em buscar orientações (45,3%) que aqueles que empreendem por necessidade (6,3 milhões), 37,5%. Em relação à orientação que tiveram ou esperam receber, grande parte destaca o processo de fabricação de produto e serviço (36,4%), sendo que para os empreendedores novos esse apoio é avaliado como extremamente importante.
Apesar de existirem institutos e agências, no âmbito nacional, que procuram fomentar o surgimento de novos negócios, a maioria dos empreendedores ainda conta com o auxílio de familiares para tal finalidade (35%). Em seguida, vem o Sebrae (14%). Demais alternativas para subsidiar as atividades empreendedoras são os cursos profissionalizantes (11%) e o contato com pessoas experientes na área (7%).

Iniciativa – São pessoas que não ficam esperando que os outros (o governo, o empregador, o parente, o padrinho) venham resolver seus problemas. Pessoas que começam coisas novas, iniciam. A iniciativa, enfim, é a capacidade daquele que, tendo um problema qualquer, age, arregaça as mangas e parte para a solução.

Autoconfiança – O empreendedor tem autoconfiança, isto é, acredita em si mesmo. Se não acreditasse, seria difícil ele tomar a iniciativa. A crença em si mesmo faz o indivíduo arriscar mais, ousar, oferecer-se para realizar tarefas desafiadoras, enfim, torna-o mais empreendedor.
Aceitação do risco – O empreendedor aceita riscos, ainda que, muitas vezes, seja cauteloso e precavido contra o risco, a verdade é que ele o aceita em alguma medida.
 
Sem temor do fracasso e da rejeição – O empreendedor fará tudo o que for necessário para não fracassar, mas não é atormentado pelo medo paralisante do fracasso. Pessoas com grande amor próprio e medo do fracasso preferem não tentar correr o risco de não acertar – ficam, então, paralisadas.
Decisão e responsabilidade – O empreendedor não fica esperando que os outros decidam por ele. Ele toma decisões e aceita a responsabilidade que acarretam.
Energia – É necessária uma dose de energia para se lançar em novas realizações, que, usualmente, exigem intensos esforços iniciais. O empreendedor dispõe dessa reserva de energia, vinda provavelmente de seu entusiasmo e motivação.
Automotivação e entusiasmo – Pessoas empreendedoras são capazes de automotivação relacionada com desafios e tarefas em que acreditam. Não necessitam de prêmios externos, como compensação financeira.
 Igualmente, por sua motivação, são capazes de entusiasmarem-se com suas idéias e projetos.
Controle – O empreendedor acredita que sua realização depende de si mesmo e não de forças externas sobre as quais não tem controle. Ele se vê como capaz de controlar a si mesmo e de influenciar o meio de tal modo que possa atingir seus objetivos.
Voltado para equipe – O empreendedor em geral não é um fazedor, no sentido obreiro da palavra. Ele cria equipe, delega, acredita nos outros, obtém resultados por meio de outros.
Otimismo – O empreendedor é otimista, o que não quer dizer sonhador ou iludido. Acredita nas possibilidades que o mundo oferece, acredita na possibilidade de solução dos problemas, acredita no potencial de desenvolvimento.
 
Persistência – O empreendedor, por estar motivado, convicto, entusiasmado e crente nas possibilidades, é capaz de persistir até que as coisas comecem a funcionar adequadamente.

Setor de serviços é o preferido

A maioria das empresas nascidas no Brasil em 2007 concentrou suas atividades nos serviços aos consumidores. O setor de serviços teve uma queda em 2006 e recuperação em 2007 (54,1%), segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM). A coordenadora do Projeto GEM Simara Greco diz que, dentre os serviços prestados nessa categoria, a maioria está relacionada à comercialização de alimentos e roupas no varejo. A atividade cresceu 36% de 2006 a 2007.
 
Outras atividades também contribuíram para o crescimento das atividades de serviços em 2007: bares e lanchonetes (56%) e tratamentos de estética e beleza (66%). A preferência por essas atividades se dá, na sua maioria, pela possibilidade do uso de ferramentas computacionais, que agilizam o processo e geram maior produtividade. Nesse mesmo período, outras atividades tiveram perdas consideráveis, como prestação de serviços de reparação de escritório e informática (59%).
Outro setor que cresceu em 2007 nos estados brasileiros foi o de transformação (29,7%), com exceção para: Rio de Janeiro, crescimento de apenas 2,1%, devido ao fraco desempenho das indústrias de borracha e plástico, perfumaria e produtos de limpeza e metalurgia básica; e Rio Grande do Sul, com 4,2%, em razão do baixo desempenho da indústria de máquinas e equipamentos, peças e acessórios e produtos de metais vinculados ao setor agrícola, além da indústria química. O comportamento dessas atividades no setor de transformação influencia o grau de atração por novos negócios.
A pesquisa demonstra também que os empreendedores iniciais dentro desses setores investem mais por oportunidade do que por necessidade nos serviços orientados aos consumidores, 3,7% e 2,9%, respectivamente; setor de transformação, 2,1% e 1,5%; e serviços orientados às empresas 1,1% e 0,6%. A exceção foi o setor extrativista no qual a maior motivação foi por necessidade (0,2%) e 0,1%, por oportunidade.
O perfil dos empreendedores estabelecidos é similar ao dos iniciais, seja em 2007, seja no período de 2002 a 2007, uma vez que os negócios também estão concentrados nos serviços orientados aos consumidores (52,1%), seguidos pelo setor de transformação (29,5%).