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Brasil terá seis novos fabricantes de motos

Com ampliação da Honda, País se tornará 4º maior fabricante do mundo

Cleide Silva

Seis novas fabricantes – a maioria com capital ou tecnologia chinesa – vão começar a produzir motocicletas em Manaus (AM), com potencial de fabricar 230 mil unidades por ano. Além das novatas, as líderes do mercado nacional têm planos ambiciosos. Dona de 80% do mercado, a Honda está negociando a compra de uma área da Gradiente, vizinha à sua fábrica de Manaus, que possibilitará a ampliação de sua produção de 1,35 milhão para 2 milhões de motos por ano. Já a Sundown ampliará sua produção de 94 mil para 140 mil motocicletas por ano.

O mercado de duas rodas no Brasil quase quadruplicou na última década. Em 2007, atingirá o recorde de mais de 1,5 milhão de unidades, 19% a mais que em 2006. A produção praticamente acompanhou o ritmo das vendas. Chegará a 1,65 milhão de unidades até o fim do ano, das quais 140 mil serão exportadas. Com os novos investimentos, o Brasil se tornará o quarto maior fabricante de motos do mundo – embora ainda esteja distante das líderes. China e Índia produzem, respectivamente, 17 milhões e 8 milhões de unidades ao ano.

"O mercado vai continuar crescendo e, em 2012, deve ultrapassar as vendas de carros", prevê Rogério Schialo, diretor comercial e de marketing da Sundown, do grupo Brasil & Movimento. "Antes, o sonho da maioria era ter o primeiro carro; agora, o primeiro veículo do brasileiro é a moto." O mercado cresce cerca de 20% ao ano, enquanto o ritmo na Índia e na China está abaixo de 15%, diz Schialo. Isso explica porque o Brasil tem atraído novos fabricantes.

Segundo a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), do grupo de novatas, duas já iniciaram a montagem, a chinesa Haobao e a brasileira Bramont (que fará motos das marcas Triumph, Husqvarna e Malaguti e quadriciclos da Malaguti). As outras já têm projetos aprovados e estão em processo de instalação, a maioria com peças e tecnologia adquiridas na China. Elas são a Dafra (do grupo Itavema), Amazonas Motocicletas Especiais (Ame), Miza e Evader/Garini. A Traxx vai transferir sua fábrica de Fortaleza para a Zona Franca.

Com base nos dados estimados nos projetos industriais aprovados pela Suframa, quando todas essas empresas estiverem em produção, haverá acréscimo na produção anual de 230 mil motos e motonetas.

As fábricas instaladas no País também estão ampliando suas fábricas. A Honda negocia a compra de uma área da Gradiente, mas não dá detalhes sobre o que fará no terreno.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Manaus e fornecedores de autopeças, a Honda tem planos de ampliar sua capacidade produtiva de 1,35 milhão de motos ao ano para 2 milhões. A empresa diz apenas que, em 2008, pretende produzir 1,5 milhão de unidades. A Honda tem 80% das vendas nacionais.

Até o ano passado, o Brasil era o quinto maior mercado para a Honda. Perdia para Índia, Indonésia, Tailândia e China. Este ano, a filial deve ganhar uma posição no ranking.

Outra empresa que está expandindo a produção é a Sundown, terceira em vendas no País. Até agosto de 2008, a empresa deve investir R$ 20 milhões. A produção mensal passará de 8 mil para 15 mil unidades.

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo), calcula que, além de motos nacionais, cerca de 10 mil unidades chegam ao País todo ano por meio da importação.

O sócio da consultoria Creating Value, Corrado Capellano, avalia que a produção de motos no Brasil ainda pode crescer muito, pois é pequena em relação aos grandes fabricantes mundiais. O setor "ainda não atingiu, como um todo, o nível de eficiência de manufatura e logística que outros setores atingiram", diz Capellano.

O motor do crescimento do mercado brasileiro, segundo Capellano, é a facilidade de financiamento e o fato de as motos estarem sendo usadas como instrumento de trabalho (motoboy, entrega de mercadorias, etc). "Acaba sendo mais barata do que o transporte público, do que manter um jegue, como costuma se dizer no interior e no Norte do País."

Uma moto POP 100, a mais barata da Honda, que à vista custa R$ 3.990, pode ser adquirida com entrada de R$ 798 e 42 parcelas de R$ 137,13, financiada pelo banco da montadora.

Segundo estudo feito pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), a frota circulante atual é de 6,27 milhão de motos, 150% maior que a de 2000.

O Salão de Duas Rodas, que ocorre a cada dois anos em São Paulo, terá recorde de expositores em outubro: 360 empresas, entre fabricantes de motos, peças e acessórios, representando 530 marcas de 25 países.