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Brasil se compromete a emprestar US$ 10 bi ao FMI

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Fonte: AFP

O Brasil se comprometeu formalmente nesta segunda-feira a adquirir bônus do Fundo Monetário Internacional (FMI) no valor de US$ 10 bilhões, tornando-se credor da instituição pela primeira vez na história, anunciou o ministro da Fazenda Guido Mantega. "Faremos uma assinatura por dois anos", indicou o ministro, acrescentando que o acordo será ratificado "nos próximos dias".

"Acabo de estar com o diretor geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, e entreguei a ele uma carta dizendo que o Brasil vai assinar um acordo de compra de bônus emitidos pelo Fundo no valor de US$ 10 bilhões, sob condições que serão estabelecidas no contrato que assinaremos", declarou Mantega.

"É um momento histórico para nós. É a primeira vez na história que o Brasil empresta recursos ao FMI – e, portanto, à comunidade internacional", destacou. "Passamos da condição de devedores à de credores. É uma mudança radical", acrescentou o ministro, que participa da reunião anual da instituição em Istambul.

Mantega afirmou que o País "está colocando parte de suas reservas" nesta operação de compra de bônus, atendendo a um pedido de Strauss-Kahn feito aos membros do Fundo para que não acumulem reservas e usem parte delas para dar à instituição os recursos necessários para contribuir com a recuperação da economia.

O ministro lembrou que o Brasil se beneficiou em 2002 de um pacote de US$ 30 bilhões do FMI para enfrentar as turbulências e a onda especulativa provocadas pela eleição de Luis Inácio Lula da Silva à presidência. Foi o maior valor já emprestado pelo organismo financeiro.

"É importante dizer que nós estamos colocando uma parte de nossas reservas, mas isto não significa uma diminuição da disponibilidade de recursos para o Brasil. É apenas uma mudança de ativos", ressaltou Mantega, lembrando que o País decidiu comprar bônus que podem ser vendidos a outros países, sem dar o dinheiro diretamente ao FMI.

Segundo Mantega, os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) decidiram comprar um total de US$ 80 bilhões em bônus do fundo; US$ 50 bilhões serão adquiridos por Pequim e US$ 30 bilhões igualmente divididos por Brasília, Moscou e Nova Délhi.

Agora, os quatro países vão negociar a possibilidade de colocar seus títulos nos Novos Acordos para a Obtenção de Empréstimos (NAP), programa que permitirá ao FMI dispor de US$ 500 bilhões para conceder empréstimos rápidos a países em dificuldades.

Os países do Bric, no entanto, condicionam esta decisão a uma garantia de que seu poder de decisão seja proporcional à contribuição feita ao NAP. O Fundo, por sua vez, se comprometeu no domingo a aumentar em pelo menos 5% as cotas dos países emergentes até 2011.

Os US$ 80 bilhões dos Bric representam 16% dos US$ 500 bilhões previstos pelo programa, porcentagem que daria ao grupo de quatro países uma minoria de bloqueio. No domingo, Strauss-Kahn anunciou que sua instituição necessitava de um "aumento considerável" de seus recursos para ajudar os países mais afetados pela crise, a maior desde a Grande Depressão da década de 1930.

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