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Brasil está entre os países mais fechados a importações, diz estudo

Folha Online

da Folha Online

O Brasil ainda está entre as economias mais protecionistas do mundo, ficando em 92º lugar em um ranking de 125 países que avalia a abertura de cada um a produtos e serviços estrangeiros, segundo o índice WTI (World Trade Indicators) 2008, divulgado nesta terça-feira pelo Banco Mundial.

"O regime de tarifas do Brasil é mais protecionista que o da média dos países da América Latina e do Caribe", diz o comunicado do banco. O índice de restrições tarifárias do Brasil ficou em 9,2%, contra a média de 8,2% dos países latino-americanos e caribenhos. As barreiras não tarifárias do Brasil incidem ainda em 46,1% de suas linhas tarifárias, segundo o último levantamento disponível (de 2001), informou o banco. Na média dos países latino-americanos, esse percentual fica em 35%.

Com essa colocação, o Brasil ficou à frente de países como Argentina (96º), Colômbia (105º) e México (107º), mas atrás do Chile (65º), do Uruguai (69º) e da Venezuela (86º). Na importação de serviços o compromisso do Brasil com o Gats (Acordo Geral sobre Comércio e Serviços, na sigla em inglês) é maior que o da região, mas ainda há espaço para negociações mais profundas dentro do âmbito da Rodada Doha de liberalização do comércio mundial, diz o documento.

A Rodada Doha, lançada em 2001, atualmente se encontra em um impasse devido ao desacerto entre países ricos e países emergente: estes esperam uma redução significativa dos subsídios à agricultura pagos pelos primeiros –que, por sua vez, querem reduções de tarifas nos setores industrial e de serviços.

"Nos últimos anos, o Brasil "continuou a liberalizar seu setor de serviços", diz o texto. "Particularmente notável é a abertura a que foi submetido os setores de telecomunicações, serviços financeiros e serviços em portos e aeroportos."

Entre os Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) o Brasil ficou à frente da Rússia (72º) e da Índia (117º), mas atrás da China (57º).

Levando-se em conta as tarifas preferenciais, o Brasil fica em 63º. "O Brasil é um participante ativo nas negociações multilaterais e freqüentemente desafia as restrições comerciais dos países desenvolvidos na OMC [Organização Mundial do Comércio]", diz o texto.

Em termos de facilidades para o desenvolvimento de negócios, o banco destaca o dado do relatório "Doing Business" mais recente, em que o Brasil ficou em 122º lugar entre 178 países.

Os países mais abertos (livres de tarifas) a produtos e serviços foram Hong Kong e Cingapura, seguidos de Suíça e Turquia. Os Estados Unidos ficaram em 11º lugar e o Canadá em 15º.