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Brasil deve quitar em 2006 sua dívida com o Clube de Paris

Brasília – Após comemorar o fim da dívida brasileira com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá comemorar, no ano que vem, a quitação dos débitos brasileiros junto ao Clube de Paris. Em outubro, de acordo com dados da Secretaria do Tesouro Nacional, essa dívida era de R$ 5,765 bilhões. O Clube de Paris é uma instituição informal que reúne países credores. O Brasil tornou-se devedor do Clube em 1983, quando reestruturou sua dívida externa.

A notícia do fim da dívida com o Clube foi dada pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, durante a reunião ministerial realizada ontem no Palácio do Planalto. Ao contrário da dívida com o FMI, porém, não se trata de uma quitação antecipada. Desde 1992, quando o Brasil renegociou sua dívida com o Clube, estava acertado que a última parcela seria paga em 31 de dezembro de 2006.

O fim da dívida com o Clube de Paris, assim como a quitação da dívida com o FMI, faz parte de uma estratégia mais ampla montada para melhorar a classificação do Brasil pelas agências avaliadoras de risco. Essas agências avaliam o risco de um país decretar “calote” de sua dívida e dão “notas” a eles. A dívida com o Clube de Paris é um vestígio da época em que o Brasil devia muito ao exterior e decretou moratória, por isso a importância de tirá-la da contabilidade oficial.

Da mesma forma, o Tesouro Nacional conseguiu, este ano, retirar de circulação os C-Bonds, títulos emitidos no processo de renegociação da dívida externa. Ainda havia US$ 4,5 bilhões deles no mercado, e eles foram trocados por outros papéis, chamados A-Bonds, que têm prazo de vencimento mais longo. Ainda restam outros papéis emitidos na renegociação da dívida externa, os chamados Bradies. São US$ 7,8 bilhões desses títulos.

Todo esse esforço para aumentar as chances de o Brasil ser classificado como grau de investimento (ou investment grade), uma espécie de selo de qualidade para os investidores financeiros internacionais. Com essa nota, o Brasil terá acesso ao bilionário mercado dos fundos de pensão internacionais.