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Baixa renda detém 67% dos cartões de crédito do país, diz pesquisa

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Folha Online

da Folha Online

Consumidores de renda mais baixa devem terminar este ano com a posse de 61 milhões de cartões de créditos, o que representa 67% dos plásticos em circulação, segundo estudo "Baixa renda: o cartão como instrumento de crédito", divulgado nesta quinta-feira pelo Itaucard. A pesquisa considera consumidores com renda mensal de até R$ 1.499.

Até dezembro, o setor deve dobrar o volume faturado em 2003, puxado principalmente pelo público de baixa renda. Nos últimos quatro anos, o crescimento do faturamento da indústria foi de 135% junto a esse público, enquanto nas demais faixas alcançou 85%.

"Esse aumento na emissão de cartões é indicativo de que este público percebeu que pode controlar melhor os seus gastos rotineiros e obter mais crédito, sem juros, para compras de bens de maior valor", afirma Fernando Chacon, diretor de Marketing de Cartões do Itaú.

A análise do perfil de consumo dos dois grupos aponta que a participação da baixa renda nas compras em supermercados, padarias e farmácias chega a ser o dobro do apresentado pela alta renda.

As compras parceladas chegam a ser 4,5 vezes maiores que as compras à vista, com tíquetes médios de R$ 182 e R$ 40, respectivamente. Na alta renda a diferença entre as compras parceladas e à vista é de 3,8 vezes, com tíquetes médios de R$ 339 e R$ 90, respectivamente.

O parcelamento ocorre, em geral, na aquisição de produtos como eletrônicos, materiais de construção e móveis, setores em que o público de baixa renda responde por 51% do faturamento, contra 22% de participação da população com renda superior à R$ 2.500.

Faturamento

O crescimento da participação da baixa renda na indústria de cartões não é sentido somente pelo aumento do faturamento, mas também pela sua participação no volume total faturado.

Em 2003, a diferença entre a participação da baixa renda e das "demais rendas" chegava a 17,8 pontos percentuais (41,1% e 58,9%, respectivamente). Segundo o estudo da Itaucard, até o final deste ano tal diferença deve ficar em 5,8 pontos, com a população com renda inferior a R$ 1.499 respondendo por 47,1% do faturamento, contra 52,9% dos outros grupos.

"Este é um número importante, quando consideramos que as pessoas com menor poder aquisitivo estão, efetivamente, fazendo uso do cartão a que tem acesso. Podemos afirmar que os consumidores estão encontrando o ponto de maturidade e consciência no uso do crédito, facilitados pelo melhor planejamento das despesas familiares que o meio eletrônico permite", afirmou Chacon.

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