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Arrecadação federal cai 32,9% em maio, pior dado para o mês desde 2005

CNN Brasil






A arrecadação do governo federal teve queda real de 32,92% em maio sobre igual mês do ano passado, a R$ 77,415 bilhões, divulgou a Receita Federal nesta terça-feira.

Este foi o pior desempenho para o período desde 2005, com a série histórica divulgada pela Receita tendo início em 2002. No entanto, o resultado veio acima da expectativa de arrecadação de R$ 69,9 bilhões, segundo pesquisa Reuters com analistas.

Segundo o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, o resultado reflete de forma mais intensa os efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a atividade econômica.

O adiamento no recolhimento de tributos ainda é a principal causa para a queda na arrecadação, mas outros fatores relacionados à desaceleração da atividade ganharam peso no resultado negativo.

Em maio, houve uma redução de R$ 4,423 bilhões nas receitas devido a esses “outros fatores” – valor que responde por 12,1% da queda de receitas do governo federal ante maio de 2019.

Segundo Malaquias, isso se deve ao fato de que a arrecadação em maio leva em conta fatos geradores ocorridos em abril, o primeiro mês cheio já impactado pelas medidas de distanciamento social.

Em abril, a redução por outros fatores havia sido menor, de R$ 917 milhões em relação a igual mês do ano passado, equivalente a 2,4% do resultado negativo no período.

Segundo a Receita Federal, mesmo que fossem expurgados os principais fatores não recorrentes (como o próprio adiamento dos tributos), a arrecadação em maio teria caído 3,73% em termos reais ante igual mês de 2019.

De janeiro a maio, a arrecadação acumulada teve recuo de 11,93% sobre o mesmo período do ano passado, em termos reais, a R$ 579,708 bilhões.

Em relatório, a Receita disse que o desempenho no mês foi afetado principalmente pelos diversos diferimentos concedidos em meio à pandemia do coronavírus.

Em função da crise, o governo permitiu o atraso no pagamento de uma série de tributos para dar alívio de caixa às empresas e famílias. Em maio, esse diferimento afetou negativamente a arrecadação em R$ 29,920 bilhões.

Há dúvidas sobre a viabilidade da cobrança dos impostos diferidos ainda neste ano, em meio à profunda queda no Produto Interno Bruto (PIB) esperada com o surto de Covid-19.

*Com Reuters e Estadão Conteúdo