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Após 99 parcelas, carro zero pode custar até 6 vezes mais

Fonte: Redação Terra

Daniel Ottaiano

A principal (ou única) opção de consumidores que pretendem comprar um carro novo pode não ser tão vantajosa. Atraídos por parcelas com valores que cabem no bolso, os compradores optam por financiamentos de até 99 meses sem pensar no preço final do automóvel – assim como não consideram custos com seguro, manutenção, impostos, combustível, pedágio de estradas e outros gastos.

Segundo estimativa de Diógenes Donizete, assistente de direção do Procon-SP, o veículo, ao final dos mais de oito anos de pagamentos (no parcelamento em 99 vezes), pode custar até seis vezes seu preço à vista. Se considerados todos os gastos, estima-se que o consumidor pague, a cada três anos, o mesmo valor do automóvel se fosse comprado à vista. Ou seja, se o carro custava R$ 25 mil à vista, gasta-se mais R$ 25 mil em três anos com todos o pagamento das parcelas, impostos e manutenção.

Para o consultor financeiro Gustavo Cerbarsi, “é equívoco grande fazer financiamento superior a três anos. As pessoas esquecem do seguro, do IPVA”, diz ele. “O problema é que um carro normal terá problemas e precisará de uma manutenção após o terceiro ano de uso”, completa. Donizete concorda: “periga o carro acabar e o carnê (de financiamento) ficar com umas 20 folhas”.

Apesar do custo final maior, o financiamento é a forma de pagamento mais utilizada. Segundo dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), 38% dos veículos vendidos em 2007 foram parcelados, 28% foi comprado à vista, 30% via leasing e 4% por consórcio. No ano passado, o saldo da carteira de financiamento de carros alcançou R$ 81,6 bilhões, um crescimento de 28,6% em relação ao ano anterior. Para o consultor financeiro Cláudio Boriola, da Boriola Consultoria, isso é explicado porque “o brasileiro é seduzido pelas armadilhas do crédito fácil. Se observamos as taxas de juros a longo prazo, não é uma boa idéia”.

Inadimplência
O principal problema do financiamento longo é a inadimplência. Donizete afirma que podem ocorrer imprevistos durante o período de pagamento das parcelas, que comprometem o orçamento dos consumidores.

“Financiamento em 60 vezes significa 5 anos pagando. Não há garantia que não terá desemprego, doença, situações inesperadas que atinjam o orçamento”, diz ele. “Os juros da inadimplência são muito mais altos que o juro do financiamento”, alerta.

Boriola recomenda que os consumidores planejem, pesquisem, pechinchem e tentem pagar à vista. “O certo é fazer as economias de forma administrativa, reduzindo os gastos supérfluos”, diz ele, que orienta que as pessoas economizem antes de adquirir um carro. “Não se deve comprometer mais do que 15% do orçamento mensal para o financiamento de veículo”, completa.

Outra dica, dada por Gustavo Cerbasi, é financiar o automóvel em no máximo três anos. “A pessoa não pode assumir a máxima prestação que pode pagar. O ideal é uma prestação um pouco mais leve”, afirma.

O Procon-SP orienta que o financiamento seja de até dois anos. “Amortize 40% a 50% da entrada. Financie em no máximo em 24 vezes”, orienta Donizete. “Economize uns dois anos. Pegue metrô e levante entre R$ 12 mil e R$ 15 mil no período (para usar como entrada)”.